Diário da Bicicleta


"Desde o princípio dos anos 1980 que David Byrne usa a bicicleta como principal meio de transporte em Nova Iorque. Há vinte anos, descobriu as bicicletas desdobráveis e começou a levá-las para as tournées e outras viagens de recreio. A escolha de Byrne deveu-se mais à conveniência do que a qualquer motivação política. E à medida que via mais cidades a partir da sua bicicleta, foi ficando apanhado por este meio de transporte e pela sensação de liberdade que o mesmo proporciona. Convencido de que o ciclismo urbano favorece um conhecimento mais profundo da pulsação e do ritmo das populações e topografias, Byrne começou a escrever um diário com as suas observações.

De Berlin a Buenos Aires, de Istambul a São Francisco, de Sydney a Nova Iorque, Diário da Bicicleta regista não só o que Byrne vê e quem encontra, como também as suas reflexões sobre world music, urbanismo, moda, arquitectura, e muito mais, numa combinação pessoalíssima de humor, curiosidade e humildade.

edição: Quetzal
título: Diário da Bicicleta
autor: Davis Byrne
tradução:Vasco Teles de Menezes
formato: 15x23cm
n.º pág.: 380
isbn: 9789725648698
pvp: 18.95€"

Fonte e imagem:

Defesa vende Convento da Graça para hotel e câmara vai construir um parque urbano

in Jornal Público, 29.04.2010
Por Carlos Filipe

"Presidente da autarquia de Lisboa sublinha que a zona verde da cerca com 1,7 hectares é um dos melhores espaços e com melhores vistas da zona histórica para a fruição pública.

É um acto exemplar, no cumprimento de uma obrigação constitucional, segundo a qual as Forças Armadas devem colaborar para a melhoria da qualidade de vida das populações, disse, em síntese, o ministro da Defesa, Augusto Santos Silva. Na resposta, o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, serviu-se do mesmo adjectivo para qualificar o acto, acrescentando-lhe que "é muito bom". E, assim, passaram ontem para a posse camarária 1,7 hectares de terrenos (equivalente a quase dois campos e meio de futebol) da cerca do Convento/quartel da Graça, instalações que o Ministério da Defesa colocará à venda, ainda este ano, para ali nascer um hotel.

Há tempo que se falava na possível utilização daquele espaço para a edificação de um hotel, mas só em 2009 ficou decidido, entre a Defesa e a autarquia, o novo uso a dar ao edifício, através do protocolo que só ontem foi posto em prática. Em Setembro do ano passado, o Conselho de Ministros aprovou a suspensão do Plano Director Municipal de Lisboa para a viabilização da mudança de uso das instalações, resolução que carecia do parecer prévio camarário, que tardou a ser emitida, e que contou com os votos contra do PSD e a abstenção do PCP.

Dos 7200 metros quadrados de área coberta do antigo convento, apenas cerca de 1200 estavam ocupados em 2001. Actualmente, alguns serviços do Exército e da GNR repartiam o espaço do convento, cuja origem remonta a 1291, tendo sido reedificado em meados do sec. XVI. Está classificado como monumento nacional por decretos de 1910 e 1918.

Segundo o ministro da Defesa, o destino do imóvel será hoteleiro, social e cultural - e objecto de concurso público -, ao abrigo do "processo de modernização e qualificação da Defesa nacional". "Temos hoje um sistema de forças mais preparado para a capacidade de projecção em tempo útil, em qualquer teatro de operações (...), e em consequência disso, muito do riquíssimo património da Defesa deixou de ter servidão militar, e estas instalações inscrevem-se nesse caminho, não necessitamos mais delas", disse Augusto Santos Silva

No imediato, a cidade vai ganhar um parque urbano. Segundo António Costa, estará pronto dentro de um ano. "Trata-se de património de valor histórico e cultural que será reafectado a um uso de interesse turístico, o que significa também valorizar a base económica da cidade. Estamos a falar da maior área verde de toda a zona histórica, transformada num parque urbano, especialmente para as zonas da Graça e Mouraria. E faremos a sua ligação ao miradouro da Graça, hoje Sophia de Mello Breyner.""

Fonte:
http://www.publico.pt/Local/defesa-vende-convento-da-graca-para-hotel-e-camara-vai-construir-um-parque-urbano_1434596

Reflorestações e Jardins na Madeira

"Câmara do Funchal vai reflorestar 250 hectares do seu Parque Ecológico
in Jornal Público, 29.04.2010
Lusa 


A Câmara do Funchal vai reflorestar 250 hectares do seu Parque Ecológico com espécies nativas. O projecto quer ajudar a proteger a baixa da cidade das cheias e já recebeu o apoio de 35 empresas.
O projecto da autarquia pretende, em dois anos, reflorestar a ribeira de Santa Luzia, “uma daquelas que veio a causar danos muito graves no Funchal a 20 Fevereiro, por ocasião de chuvas intensas”, explicou o vereador responsável pelo pelouro do Ambiente do município.

Costa Neves salientou que a vertente esquerda da cabeceira da ribeira "está desarborizada, o que contribuiu para o carácter torrencial da ribeira em períodos de chuva intensa".

Terminada "toda esta acção de reflorestação do Funchal fica mais defendido em caso de chuvas intensas ou fortes porque a ribeira de Santa Luzia é muito grande e atravessa a cidade", destacou.

O projecto contará com a participação da Universidade da Madeira para promover as espécies de flora autóctones.

Trinta e cinco empresas vão dar dez mil euros cada uma
O projecto de reflorestação já recebeu o apoio de 35 empresas, contribuindo cada uma com dez mil euros.

O município apresentou uma candidatura "orçamentada em dois milhões de euros" para beneficiar de um apoio comunitário na ordem dos 85 por cento, no âmbito do programa PRODERAM.

"Fez-se uma ronda por uma série de empresas associadas do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável em Portugal e cada uma delas contribuiu com dez mil euros, valor que ultrapassa a dotação que a câmara tinha que colocar à disposição deste projecto", disse o responsável.

Amanhã terá lugar no Parque Ecológico do Funchal a cerimónia de entrega simbólica deste contributo, uma iniciativa que contará com a presença de representantes das 35 empresas nacionais e multinacionais apoiantes, além da celebração de um protocolo com a Universidade da Madeira para que a reflorestação daquela área aconteça apenas com espécies indígenas.

O Parque Ecológico do Funchal foi um projecto desencadeado em 1994 pela câmara da capital madeirense, no âmbito de uma política de reflorestação das áreas de montanha do concelho que visa travar a erosão dos solos, reter a precipitação e devolver um coberto vegetal indígena. Presentemente cobre uma área aproximada 1012 hectares, 190 dos quais já estão reflorestados, tendo sido plantados cerca de 200 mil árvores e arbustos indígenas."


"Jardins da Madeira visitados por quase três milhões de pessoas na última década
in Jornal Público, 30.04.2010
Tolentino de Nóbrega



Nos últimos dez anos, entre 2000 e 2009, mais de 2,8 milhões de pessoas visitaram o Jardim Botânico da Madeira, que hoje cumpre 50 anos.
Neste jardim fundado a 30 de Abril de 1960 pelo engenheiro Rui Vieira, entram cerca de 345 mil indivíduos por ano, ou seja, mais 100 mil que a população residente neste arquipélago.

Em 2008, os três principais jardins do Funchal - Jardim Botânico Eng.º Rui Vieira, Quinta do Palheiro Ferreiro e o Jardim Tropical Monte Palace - registaram 583.583 entradas pagas. Segundo um estudo do geógrafo Raimundo Quintal, 57,6 por cento destas entradas são de turistas registados na Madeira. "Isto revela a grande importância do garden tourism [turismo de jardins] como nicho na oferta turística da região. É porque nem o golfe ou o Parque Temático de Santana geram tanta riqueza", conclui o mesmo especialista. No estudo que apresentou num congresso internacional, sobre "a importância dos jardins como nicho turístico na Madeira", o geógrafo madeirense assinala que no Reino Unido, a partir de 1990, os jardins e as exposições do National Trust, do English Heritage, do National Gardens Scheme e da Royal Horticultural Society registaram um forte aumento de visitantes. Evocando a tradicional paixão dos ingleses - principal mercado desta ilha onde construíram quintas ajardinadas - pelas plantas, e o número crescente de programas televisivos sobre botânica e jardinagem, o investigador não tem dúvidas em considerar "um sucesso o crescimento deste nicho de turismo na última década do segundo milénio e nos primeiros anos do século XXI".

Cerca de 60 por cento das entradas na Quinta do Palheiro Ferreiro foram de turistas individuais e 40 por cento de grupos organizados por agências de viagens. No Jardim Tropical Monte Palace o peso das visitas individuais foi muito maior, atingindo 90 por cento. Já no Jardim Botânico os grupos organizados corresponderam a 34 por cento das visitas pagas.

A maioria dos visitantes procura os jardins como espaços de lazer, fixando a atenção nas árvores monumentais, nos recantos mais atraentes e nas flores vistosas. Uma faixa mais restrita escolhe o destino Madeira para aprofundar o saber em botânica, floricultura, jardinagem ou paisagismo.

Presentemente com 23 jardins na sua capital, a ilha da Madeira possui património capaz de catapultá-la para um nível mais alto no mercado, frisa Quintal. Para atingir esse desiderato terá de haver uma rede de jardins, públicos e privados, de qualidade que garanta, pelo menos, uma semana de visitas diversificadas do ponto de visita botânico, paisagístico e histórico.

Para atrair mais turistas aos seus jardins, a Madeira precisa, na opinião daquele investigador, de criar uma rede de jardins de elevada qualidade; preparar os jardins para acolher famílias; discriminar positivamente os jardins de excepcional riqueza; associar a promoção da Festa da Flor a programas de visitas; aproveitar as condições atmosféricas para fazer cursos sobre plantas ornamentais e jardinagem ao ar livre durante todo o ano. Para atrair turistas no Inverno "é fundamental transmitir de forma muito impressiva a imagem dos jardins da ilha, criando mais sítios na Internet com o objectivo de convencer os amantes dos jardins que a Primavera passa o Inverno na Madeira", conclui o geógrafo."

Fontes e imagem:
http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1434611
http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1434778

30 de Abril, 2010: Massa Crítica - BICICLETADA


"Sexta, 30/04/2010 - 18:00 - 20:30
  • Aveiro - Concentração às 18h30 e saída às 19h00, no Forum Aveiro, ao lado da Capitania;
  • Coimbra - Encontro: Às 18:00 e saída às 18h30 do Largo da Portagem, junto à estátua do Mata Frades;
  • Lisboa - Concentração às 18:00 e saída às 19:00, no Marquês Pombal, no início do Parque Eduardo VII;
  • Porto - Concentração às 18h30 e saída às 19h00, na Praça dos Leões;
  • Évora - Concentração às 18h00, na Praça do Giraldo;
  • Setúbal -  Concentração às 18h00, na Praça do Bocage.
...Há alguma variedade na hora de início das bicicletadas pois, para além do mais, espera-se sempre cerca de meia hora pela chegada de mais participantes...  E como anoitece mais cedo é bom trazerem luzes e reflectores... Se estiver tempo húmido também é bom trazerem vestuário de protecção... Aparece e traz amigas/os."
Fonte:
http://www.massacriticapt.net/?q=node/1090

Bicicleta roubada I

 
Foi roubada na noite de dia 24 para 25 de Abril de 2010, na Parede, Cascais, uma bicicleta Specialized Stumpjumper comp modelo de 2008, de cor prateada (Titanium), tamanho M e com as seguintes especificações:
 
Quadro - Liga M5 rígida
Suspensão - Fox F90 RL
Travões - discos hidráulicos 160mm - Avid Juicy 5 SL
Desviador frente - Shimano M581 LX, 34.9mm
Desviador traseiro               - SRAM X-9, (9 velocidades)
Manípulos - SRAM X-7 (alumínio)
Pedais - Crank Brothers Smarty
Rodas - DT Swiss - Specialized X420, 24mm w/ eyelets, 28/32h
Selim - Specialized XC MTB
CRANKSET - Shimano A/A/S 2pc custom


Contacto: jasal74@hotmail.com
Tel: 912245362

http://picasaweb.google.com/lh/photo/dR8FDSZTwJ2ddKhhel2tmQ?feat=directlink

Mercados municipais devem ser preservados

Há sete mercados em vias de classificação

"O Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) está a analisar a classificação de sete mercados, sendo o do Bolhão (Porto) e o de Santana (Leiria) aqueles que têm o processo em fase mais adiantada, por já terem sido homologados pela tutela. Para formalizar a classificação, falta apenas a sua publicação em Diário da República.

Os mercados de Santarém, do Bom Sucesso, de Matosinhos, de Barcelos e de Santa Maria da Feira são os outros espaços em vias de classificação, segundo a página do Igespar na Internet. Actualmente, só há dois mercados classificados: o de Ferreira Borges, no Porto, que é imóvel de interesse público desde 1982; e o da Figueira da Foz, imóvel de interesse municipal desde 2004.

Ontem, vários especialistas ouvidos pela Lusa defendiam que os mercados municipais devem ser preservados, mesmo sem comércio. Os grandes estabelecimentos comerciais mudaram as regras do jogo no que toca ao comércio urbano, sendo de antever nos anos futuros diferentes cenários para os mercados municipais."


Mercados municipais devem ser preservados mesmo sem comércio, dizem especialistas

Por Marisa Soares "Os grandes estabelecimentos comerciais mudaram as regras do jogo no que toca ao comércio urbano, sendo de antever nos anos futuros diferentes cenários para os mercados municipais. Por isso, é urgente preservar estes espaços, se não pela sua vertente de comércio, pelo seu "valor patrimonial", defende o investigador sobre comércio urbano João Barreta.

Antecipando o futuro dos mercados municipais nas próximas décadas, João Barreta está a desenvolver um estudo em que traça quatro cenários possíveis para os mercados portugueses, até 2030. O primeiro cenário -Não os matem que eles morrem- passa pela "completa inacção dos actores" ligados aos mercados, o que a médio prazo, defende, "corresponderá a um inevitável desaparecimento" dos mesmos. O segundo cenário para 2030 - Vão-se os anéis, ficam os dedos -corresponde "à percepção, por parte das autarquias", de que estas dispõem de um património de "localização privilegiada" no centro da cidade que "poderão rentabilizar" financeiramente, "pouco se importando de perder aquilo que em tempos terá sido uma das jóias da cidade".

O terceiro cenário avançado por João Barreta, intitulado Não os consegues vencer, junta-te a eles, passa pela "complementaridade" de actividades no espaço do mercado, inclusive pela instalação de uma "média/grande superfície" no mercado. Por último, o Via Barcelona corresponde ao "cenário ideal", porque esta cidade catalã é reconhecida como um exemplo ímpar na gestão de mercados municipais.

Ainda que nem todos os mercados tradicionais portugueses tenham importância suficiente para serem preservados, muitos são considerados "monumentos não intencionais" e lugares de "memória e identidade", que devem ser defendidos, considera também o especialista David Ferreira, da Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN). O técnico sublinha mesmo que seis dos mercados portugueses são "referências da arquitectura moderna", apontando os casos dos mercados da Ribeira e de Arroios, em Lisboa, e dos mercados de Tavira, Lagos, Barcelos e Viana como "obras de vanguarda". "Os mercados são sempre um lugar especial nas cidades", refere, por causa das características físicas dos espaços, mas também da sua função, mesmo que esta seja mais difícil de preservar.

Onde o tempo é lento
Falar de mercados é também falar de uma outra forma de viver o tempo. O geógrafo Herculano Cachinho, do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, com trabalhos publicados sobre geografia do comércio e do consumo, considera que as grandes metrópoles vivem hoje "entre dois mundos", um de "tempo rápido", representado, em termos comerciais, pelos "grandes shoppings", replicáveis "em qualquer lado", e um segundo mundo de "tempo lento", assente no comércio tradicional de rua e nos mercados municipais.

Nos mercados, "o tempo não existe", sublinha o docente: "São os lugares que temos na cidade onde podemos respirar, usufruir o espaço pelo espaço. É preciso é ter tempo, daí o público que mais frequenta os mercados ser mais idoso, que gosta da personalização do trato dos comerciantes.""


in Jornal Público, 26 de Abril, 2010
Fontes:
http://jornal.publico.pt/noticia/26-04-2010/ha-sete-mercados-em-vias-de-classificacao-19272244.htm
http://jornal.publico.pt/noticia/26-04-2010/mercados-municipais-devem-ser-preservados-mesmo-sem-comercio-dizem-especialistas-19272737.htm

PREPAREM-SE! O NOSSO ESTILO DE VIDA TEM QUE MUDAR!

Entrevista com James Howard Kunstler.
Por Victor Belanciano
"Não se tem falado de outra coisa: derrapagem do preço dos petróleos e crise financeira global. Responsáveis? O estilo de vida ocidental, dependente do petróleo. Solução? Mudar de estilo de vida. Escreveu-o James Howard Kunstler há cinco anos em “O Fim ...do Petróleo”.

Mas continuamos a brincar ao faz de conta. Entrámos na curva descendente da exploração petrolífera e do gás natural em que assenta o nosso modo de vida, mas insistimos em imaginar reservas inesgotáveis ou substitutos por artifícios tecnológicos.

Di-lo o americano James Howard Kunstler, especialista em urbanismo, jornalista, escritor, autor de “O Fim do Petróleo – o grande desafio do séc XXI” (2005), onde relata o que nos espera depois do pico global de produção petrolífera ser superado, gerando mudanças económicas, politicais e sociais épicas.

Conhecido desde que publicou, em 1993, “The Geography Of Nowhere: The Rise and Decline of America’s Man-made Landscape”, editou ensaios sobre planeamento e condição urbana, visando o que classifica como fiasco do modelo suburbano.

Em simultâneo tem escrito romances. O último, deste ano, “World Made By Hand”, reflecte o mundo pós-petróleo. Controverso, lúcido, incisivo e profético são epítetos utilizados para falar de alguém que tem antecipado não só a derrapagem dos preços do petróleo, mas também a crise financeira global.

“Ninguém está preparado para o buraco que nos espera ao fundo da estrada”, adverte, sustentando que nos espera um período de reconversão radical dos modos de vida, antecipando um período da história desconhecido, que todos os países enfrentarão.

P – Diz que o estilo de vida ocidental tem que mudar porque é inconsistente com os reduzidos recursos enérgicos que temos. A crise dos mercados financeiros é mais uma indicação que o mundo está a mesmo a mudar de forma dramática?
R – No Ocidente, seja nos EUA ou Europa, o esgotamento dos combustíveis fósseis tem implicações profundas no complexo sistema que atribui sentido à vida em sociedade. Esse estilo de vida está em vias de se tornar insustentável ou entrar em colapso, à medida que entramos no território desconhecido da redução permanente de petróleo. As finanças são apenas um desses sistemas – aquele que colige e atrai capital. Agora está sob tensão, à beira da ruptura. Em parte, por causa do esforço para contornar o previsível fim do crescimento industrial petrolífero, que conduziu a uma série de aldrabices, ou seja, investimentos mutantes que se revelaram fraudulentos. É claro que o sistema financeiro está ligado com os outros sistemas dos quais dependemos – alimentação, transportes ou comércio, e o falhanço de cada um deles afecta, obviamente, todos os outros.

P – Tendências que previu em “O Fim do Petróleo”, como a crise dos mercados financeiros e a aflição causada pela especulação imobiliária, estão a acontecer. Porque não foi feito nada para amortecer o que está a ocorrer?
R – Porque os EUA, e o resto do mundo, como costumo dizer, estão a caminhar como sonâmbulos rumo ao futuro. Estamos a enfrentar o fim da era dos combustíveis fósseis baratos, ou seja o fim da história industrial, e não assumimos que as reservas são finitas, não se renovam, distribuem-se de forma desigual e não temos substitutos. Isto é mal compreendido pela população, preocupada com o dia-a-dia, e por quem detém poder de pensar e agir. Não é conspiração. É inércia cultural, agravada pela ilusão colectiva de quem vive num ambiente de conforto. Talvez faça parte da natureza das coisas ignorarem-se as condições que as provocam até ser tarde de mais para se fazer seja o que for. Mas era bom que se percebesse que o pico de produção global de petróleo vai mudar a vida económica do mundo.

P – Há solução para derrapagem do preço dos petróleos?
R – Ao mesmo tempo que assistimos a distorções no preço do petróleo, existe a presunção que abrandar as economias mundiais amortecerá a procura de produtos petrolíferos. É optimismo a mais. Existe uma capacidade mínima para operar nos países desenvolvidos e suspeito que as margens são maiores do que a maior pensa. Segundo, as distorções de preços criarão mais problemas no futuro, porque muitos investimentos de capital serão adiados ou cancelados porque foram planeados para serem rentáveis apenas com o barril de petróleo a 100 dólares. A situação actual afectará futuras provisões que serviriam para compensar futuros esgotamentos. É complicado. Por outro lado, outros factores continuarão a fazer-se sentir, como as questões ligadas ao “nacionalismo petrolífero”, que transformam o petróleo numa arma geopolítica. Existe, ainda, a esperança que fontes de energia alternativa compensem perdas de petróleo, mas isso são fantasias, sobretudo se continuarmos com este estilo de vida.

P – Qual poderá ser o futuro das grandes companhias criadas num contexto onde os recursos pareciam inesgotáveis e baratos?
R – No espaço de cinco anos, talvez antes, as companhias de aviação, por exemplo, não existirão tal como as conhecemos. Isso é certo. É inacreditável que os EUA tenham um deplorável serviço de caminhos-de-ferro. Destruímo-lo! Um crime contra nós próprios! Se não encontrarmos uma maneira de o reconstruir, não iremos a lado nenhum neste novo mundo que se descortina. Não custa imaginar que as travessias de oceano por barco voltarão a ser normais ou que a indústria dos camiões morrerá, pelo menos da forma como está organizada.

P – Acredita-se que através da tecnologia encontraremos substituto para os problemas energéticos. Você diz que é uma falácia. A tecnologia é problema, não faz parte da solução?
R – Sofremos de “tecno-triunfalismo”. A maior parte não admite a possibilidade da civilização industrial não ser salva pela inovação tecnológica. Pensam: como podem nações que chegam à lua não superar estas dificuldades? Esta visão conduziu-nos para um pântano, com investimentos de filosofia errada. A mania, agora, nos circuitos ecológicos americanos, é encontrar maneiras de circular com carros, amigas do ambiente. Uma loucura. A solução para a falhada utopia automobilística não é mais carros que circulam de formas diferentes, mas sim bairros, vilas ou cidades onde se circule a pé. Nos EUA este conceito de cidade não é compreendido. O carro tornou-se na extensão lógica de todos, incluindo dos mais pobres.

P – A economia global, como a conhecemos, subsistirá ou a tendência será, como parece defender, regressarmos a uma economia localizada?
R – Ainda não sabemos se as disfunções nas finanças ou nos recursos energéticos conduzirão a graves problemas geopolíticos, o que, a acontecer, afectará a lógica de comércio internacional. Seja como for o mundo deixará de encolher, tornando-se, outra vez, maior. A globalização não tornou o mundo mais plano, como se diz. Mudarão radicalmente quase todas as relações económicas entre pessoas, nações e instituições. O comércio mundial não desaparecerá, mas o contexto onde se fará será mais reduzido. Genericamente, viveremos mais localmente.

P – Há uma corrente de opinião que sustenta ser possível uma transição suave dos combustíveis fósseis para os seus substitutos (hidrogénio, energia solar, etanol, fissão nuclear, etc). O que pensa disso?
R – Estou confiante que tentarão esses e muitos mais e desiludir-se-ão com todos. Alguns deles, como o etanol, revelar-se-ão fraudes imediatas, pelo menos em termos económicos. Temos é que nos concentrar em conservar o que ainda temos, estabelecer modelos locais, pensar num tipo de desenvolvimento urbano compacto e em paisagens agrícolas menos mecanizadas. A crença que a “economia de mercado” nos facultará um substituto é ilusão. A verdade é esta: o mais provável é os novos combustíveis e tecnologias nunca conseguirem substituir os combustíveis fósseis ao ritmo, escala e modo como o mundo os consome hoje.

P – Tem reflectido sobre os subúrbios americanos, argumentando que são insustentáveis e sem futuro. No mundo pós-petróleo o que lhes acontecerá?
R – O conceito de subúrbio não é reformável. E não o é porque foi concebido para fazer sentido na era dos combustíveis baratos. Logo, são insustentáveis. Mas não vamos ter muitas saudades, porque nas últimas décadas produziram apenas alienação, solidão e depressão.

P – Os subúrbios americanos são uma espécie de réplica artificial da vida no campo. Para além das questões energéticas, o problema deve-se ao facto de serem uma amálgama de cidade e campo?
R – Sim, topologicamente, são confusos. Nem urbanos, nem rurais, com as desvantagens de ambos e quase nenhuma das vantagens. Têm, por exemplo, congestionamentos de carros, e nenhum dos proveitos resultantes da densidade, porque as pessoas estão presas nos carros. Têm paisagem rural, mas quase nenhuma ligação com outras ecologias e organismos vivos. O subúrbio tem inscrito no código genético a palavra entropia, a força da natureza que conduz à morte.

P – Mas as cidades e as concentrações urbanas não desaparecerão. Como será a vida urbana no futuro?
R – As cidades serão menores em escala. As grandes megacidades não são outra coisa senão a manifestação de uma época onde a energia era barata. As cidades mais afortunadas tenderão a ser densas e compactas, nos centros históricos e margens dos rios que as circundam. A era do automóvel provou que as pessoas toleram ruas e edifícios feios desde que possam fugir desses locais em automóveis bem equipados. Mas se regressarmos a uma escala humana de construção, haverá uma boa hipótese dos bairros urbanos serem mais sustentáveis e bonitos.

P – O modelo urbano de subúrbio na Europa, em termos de organização social e cultural, é diferente. Terão mais hipóteses que os modelos americanos?
R – Os europeus nunca perderam o respeito pelo carácter e charme da vida urbana. Não destruíram as suas vilas e cidades, ao longo do processo suburbano, como nós. A qualidade do urbanismo, a sua escala, é mais sustentável.

P – Mas cidades europeias como Paris, Londres ou Lisboa estarão mais bem preparadas para as mudanças que, presumivelmente, se avizinham?
R – Absolutamente. Nos próximos anos, os cidadãos de Dallas ou Atlanta sentir-se-ão perdidos nas suas casas gigantes, a quilómetros do nada. Em Lisboa ou Dusseldorf continuarão as suas vidas. Na Europa, até as urbes mais pequenas possuem um elevado nível de equipamentos sociais e culturais. Mesmo que houvesse uma grande interrupção no abastecimento de petróleo, a maior parte dos europeus continuaria a sua vida quotidiana.

P – Voltar ao passado, ao que já conhecemos, é a conduta óbvia quando os tempos são de mudança. É mais difícil olhar em frente, para o desconhecido. Mas, às vezes, é isso que é necessário fazer. Não existe outra opção senão voltar ao passado?
R – As pessoas são inventivas e flexíveis, mas já se fizeram demasiadas coisas falhadas, em nome da inovação. Existem muitas coisas da nossa vida quotidiana que não necessitam de ser reinventadas. Quarteirões onde se pode andar a pé, por exemplo. Todos os dias encontro uns idiotas que, periodicamente, querem construir sistemas de transportes, concebidos para funcionarem como os carros. Para quê? É de loucos. Os bairros mais desejáveis das grandes cidades são os mais intimistas. O urbanista Andrés Duany disse que a sua ideia de paraíso era um bairro gótico de uma cidade europeia e eu concordo.

P – E na China, no Brasil ou na Índia? O Ocidente andou a dizer-lhes que o nosso estilo de vida é que era, e agora que, aparentemente, têm frutos dessa adopção, irão abdicar do que conquistaram?
R – Também estão a enfrentar imensas mudanças e desafios. Pensa-se que, nos próximos anos, a China irá deter uma espécie de hegemonia global. Duvido. Têm muitos problemas, especialmente de escala, até mais do que as nações ocidentais, por causa da população, da destruição ecológica, da escassez alimentar e da insuficiência de reservas de petróleo. A China transformou-se rapidamente numa grande economia industrial, mas entraram no jogo tarde de mais. Ou seja industrializaram-se no momento preciso em que se reduzem, em todo o mundo, os recursos necessários a esse processo.

P – Há anos afirmou que, genericamente, os líderes políticos eram fracos. Como tem visto a corrida eleitoral nos EUA?
R – Mr. Obama é honesto, inteligente, e espero que venha a ser um digno líder dos EUA. Mas irá passar por desafios e dificuldades terríveis e tenho pena da sobrecarga que vai herdar. Quanto aos problemas energéticos, é difícil perceber até que ponto, um e outro, estão informados. Mas o ponto principal é que os cidadãos não têm tido coragem para enfrentar a realidade, independentemente do que os líderes sabem, dizem ou pensam.

P – Que mudanças tem vindo a efectuar na sua vida privada, de maneira a preparar-se para o mundo pós-petróleo?
R – Tenho uma vida comedida, nada extravagante. A decisão mais importante foi tomada há 30 anos quando assentei numa vila americana, Saratoga Springs, 300km a norte de Nova Iorque. É uma escala e tipo de vida que está de acordo com aquilo que serão as exigências do futuro. "
Fonte:
PÚBLICO (P2) 10-9-2008