Um Estranho Por Dia: JOÃO 50 ANOS, MARIA 51 ANOS E MOOG, 4 ANOS

"João 50 anos, Maria 51 anos e Moog, 4 anos - Reparei no João e na Maria quando eles apanhavam canas perto da 2ª circular em Benfica "Viemos apanhar canas para a nossa horta que fica ali do outro lado no jardim perto do Colombo, vão ser usadas nos tomateiros". Após conversarmos um bocado no caminho mostraram-me a sua horta "Aqui plantamos alfaces, morangos, abóboras, courgettes, alhos, batatas, alho francês, tomates etc. Isto eram hortas clandestinas e quando fizeram aqui o jardim criaram isto. Pagamos um valor anual, mas quando viemos para aqui não sabíamos nada de agricultura, tivemos de frequentar uma formação e claro recorremos a livros e à internet para aprendermos, mas não estávamos à espera que desse tanto trabalho. Nos primeiros dois anos passávamos aqui todos os bocadinhos livres entre os nossos trabalhos, só para ver, da altura em que viemos para aqui só cá continuamos nós, todos os outros desistiram". Enquanto conversávamos, a Moog deu-me duas mordiscadelas nas pernas mas nada de mais, talvez estaria a sentir que eu era um intruso mas ficou logo boazinha para mim. Depois perguntei-lhes se vendiam o que cultivavam ali "Não, isto é apenas para nós e dá praticamente para o ano inteiro, mas como disse não é fácil, são muitas horas de trabalho e é por gosto que andamos aqui porque só compensa mesmo pela qualidade do que comemos, porque não usamos químicos aqui, apenas adubo orgânico que também somos nós que o produzimos aqui." 
Lisboa, 22 de abril de 2016
Miguel A. Lopes"

Paisagismo: a chave para o futuro de nossas cidades

  • 30 Novembro, 2015, 
  • por Kirt Martin, Traduzido por Camilla Sbeghen

    "Desfrutar do tempo livre em espaços públicos bem desenhados é um dos aspectos mais importantes para a maior parte dos que vivem em uma cidade. Então, por que é investido tão pouco tempo e dinheiro para seu desenho? Neste artigo, publicado originalmente na revista Metropolis com o título "Designing Outdoor Public Spaces is Vital to the Future of our Cities", Kirt Martin, vice-presidente de Design e Marketing do escritório de mobiliário urbano Landscape Forms, afirma que o paisagismo e o design industrial focados no setor público são a chave para a saúde e a felicidade das cidades. 
    Paisagismo: a chave para o futuro de nossas cidades, A terceira parte do High Line em Nova York. Imagem © Iwan Baan, 2014
    Todos apreciamos nosso tempo em espaços abertos. Mas por que prestamos tão pouca atenção em seu desenho?
    Como designer de mobiliário urbano, sempre tenho curiosidade sobre quanto as pessoas apreciam os espaços ao ar livre. Eu gosto de ter como tema de conversa perguntas sobre a descrição de grandes cidades como Nova Iorque, Chicago ou Paris e o que ficou marcado na memória dos visitantes quando estiveram ali. Se este não é o caso, pergunto onde iriam e o que fariam se ganhassem  $25,000 para gastar nas férias sonhadas. Suas melhores experiências em uma cidade célebre ou em uma paisagem natural sempre têm algo em comum, exceto por um ponto: aquelas que são mais memoráveis sempre têm como cenário os espaços ao ar livre. 
    A coleção Multiplicidade desenhada por Yves Behar e fuseproject. Imagem Cortesia de Landscape Forms
    A coleção Multiplicidade desenhada por Yves Behar e fuseproject. Imagem Cortesia de Landscape Forms
    Temos estudos que demostram que as pessoas tendem a ser mais saudáveis, mais felizes e ter uma vida mais duradoura em áreas com acesso a natureza, incluindo espaços urbanos com áreas verdes. Os espaços ao ar livre são os menos custosos para criar e os que geram a mais alta rentabilidade - levando em conta aspectos como a melhora da vida em comunidade, saúde e riqueza, além da geração de atividades econômicas nas áreas circuncidantes. Com um número crescente de pessoas que se refugiam em cidades - desde jovens profissionais até aposentados - os espaços públicos verdes e a vibrante paisagem urbana são considerados fatores chave que atraem tanto os residentes como negócios.
    Apesar disso, não damos aos espaços livres o mesmo valor e suporte econômico que conferimos aos edifícios e interiores. Calculamos o valor em dólares por metro quadrado dos edifícios e interiores mas não valorizamos os metros quadrados das áreas livres. Não conta-se com uma análise de viabilidade econômica para o desenho de espaços exteriores, quando poderia e deveria ser realizada. Considero também que o desenho e inovação nas áreas exteriores públicas e privadas é um tema pendente, e o primeiro passo para assumir este desafio é melhorar as habilidades e talentos dos arquitetos paisagistas, os profissionais melhor preparados para desenhar estes espaços. 
    Sistema de Reciclagem do Central Park desenhado por Landor Associates. Imagem Cortesia de Landscape Forms
    Sistema de Reciclagem do Central Park desenhado por Landor Associates. Imagem Cortesia de Landscape Forms
    Chegou o momento da história em que a arquitetura da paisagem tem algo muito importante para dizer, e devemos escutar. Os arquitetos paisagistas aplicam uma disciplina baseada no pensamento holístico. Eles entendem o ambiente natural, o ambiente construído e as relações entre ambos. Além do mais, estão preparados para assumir a liderança no desenho de espaços exteriores e captar a atenção do público nos mesmos.
    Recentes projetos destacados como o High Line e o Millennium Park criaram fortes laços com a comunidade local, e os famosos urbanistas responsáveis por estes projetos suscitaram o interesse do público. Entretanto, ainda existe uma grande legião de paisagistas talentosos e inspirados que deveriam ser parte primordial do desenho e visualização dos espaços exteriores.
    "Cloud Gate" de Anish Kapoor, escultura no Millennium Park em Chicago. Imagem © Urban Land Institute
    "Cloud Gate" de Anish Kapoor, escultura no Millennium Park em Chicago. Imagem © Urban Land Institute
    Este também é um momento no qual a história desempenha um papel útil para a arquitetura da paisagem. Nós que somos provedores de mobiliário urbano, partícipes do desenho e ativação dos espaços exteriores, devemos formar parte deste desafio, e estou disposto a assumi-lo buscando os meios para garantir a rentabilidade de espaços exteriores desenhados em términos de comunidade, identidade, bem-estar, meio-ambiente e economia. Estou focado em liderar a inovação junto com soluções graduais mais além de elementos padrões como lixeiros, estacionamento para bicicletas e bancos, para ajudar as pessoas a desfrutarem de experiências inesquecíveis ao ar livre. Os exteriores iniciam no exato momento em que saímos das nossas portas, por isso são requeridas novas ideias para os espaços adjacentes aos edifícios. É necessário também integrar a tecnologia aos espaços públicos, respeitando as qualidades especiais de cada contexto.
    Me sinto entusiasmado por este esforço e acredito que, com a colaboração de paisagistas e outros profissionais do design na indústria do mobiliário urbano, podemos suscitar interesses e promover um maior investimento em espaços exteriores que criem memória e significado. Juntos podemos criar uma verdadeira mudança na paisagem urbana, que é o nosso futuro.
    Kirt Martin é vice-presidente de Design e Marketing de Landscape Forms, liderando as equipes criativas de desenvolvimento de produto, marketing e comunicações desta companhia. Martin é um premiado designer industrial que dirigiu previamente a área de designer em Turnstone, uma divisão de Steelcase."

    INGLESES CADA VEZ MAIS PREOCUPADOS COM DIVÓRCIO ENTRE CRIANÇAS E NATUREZA

    Por Inês Sequeira, 17.02.2016

    "Um estudo financiado pelo Governo britânico concluiu que 12% das crianças inglesas não tinham visitado um ambiente natural no espaço de 12 meses consecutivos, pelo menos. Os resultados confirmam também a forte importância dos progenitores para a relação com a Natureza.
    O inquérito prolongou-se entre Março de 2013 e Fevereiro de 2015, realizado pela Natural England, junto de mais de 10.000 crianças com menos de 16 anos. As famílias eram questionadas todos os meses.Os resultados indicam que 12% dessas crianças não tinham visitado jardins, parques, praias, florestas ou outros ambientes naturais ao longo do último ano.
    Os mais distanciados do mundo natural são crianças de famílias com baixos rendimentos e de etnia negra, asiática e outras minorias.
    Os resultados do estudo apontam também para uma divisão entre o Norte e o Sul. No Nordeste do país, 78% dos mais novos visitam espaços naturais pelo menos uma vez por semana, enquanto que em Londres, por exemplo, isso sucede apenas com 62%.
    O inquérito indica também que o interesse dos pais pela Natureza tem uma forte influência nas visitas dos mais novos aos espaços verdes: nas casas onde os adultos são visitantes frequentes, a maioria das crianças também o são (82%).
    Já quando acontece o contrário, apenas 39% dos menores de 16 anos passeiam frequentemente na Natureza.
    Aliás, a grande maioria dos passeios no mundo natural realizam-se em conjunto com os pais ou outros adultos que vivem na mesma casa (75%).
    “Os adultos são extremamente importantes como mediadores das visitas das crianças aos espaços naturais”, sublinham os autores do estudo, que chamam também a atenção para “as claras desigualdades sociais” na forma como os mais novos acedem aos espaços verdes.
    “Os problemas relacionam-se com o medo, o espaço, a tecnologia e o tempo, e variam muito ao longo do país”, disse Natalie Johnson, da organização não governamental Wild Network, ao jornal britânico The Guardian.
    “Nos subúrbios de classe média, [o problema] são os pais: como é que dizemos aos pais que o tempo para as crianças brincarem lá fora à vontade é tão importante como as aulas de francês, ballet e mandarim?”
    Os resultados deste inquérito vão servir de base ao desenvolvimento de um indicador para medir a interacção de crianças e jovens com ambientes naturais, em Inglaterra. Vão ainda ser utilizados na definição de estratégias de intervenção para a saúde pública e o bem-estar."

    Bicicleta Roubada XXIV

    "na noite de domingo para segunda roubaram-me a bicicleta (igual à da fotografia mas preta). é praticamente nova mas tem o plástico que cobre a corrente partido.
    se alguém, especialmente da zona de Benfica, tiver alguma informação agradeço (muuuito) que me contacte. sei perfeitamente que a probabilidade de a voltar a ver é mínima mas não perco nada em fazer esta última tentativa desesperada.
    obrigada!
    ps: os cadeados para motas não são tão fortes como parecem, depois não digam que não avisei."

    Bicicleta Roubada XXIII

    "Roubaram-ma ontem em Alvalade, são 8 anos juntos, é o meu meio d deslocação, pedalo mais do que ando. E agora alguém decidiu tirar-ma. Se a virem com alguém em cima dêem-lhe um carolo e tragam-ma de volta!"

    Bicicleta Roubada XXII

    "roubaram-me a bicicleta ontem em Lisboa, no Martim Moniz. É uma b-fold 500. Tem apenas uma semana... está nova, nova. As hipóteses de que apareça são 0,01 claro... mas tenta-se... 
    Muito obrigada!"

    I belong on the road as much as any man. Male rage won’t scare me off my bike

     ‘As a female cyclist, you are all too often the target of a particularly
    unsavoury male aggression.’ Photograph: Steve Vidler/Alamy
    26.08.2015
    Video of a woman being pushed off her bicycle by an angry pedestrian has inflamed social media. But while the abuse female cyclists get is real, the freedom bikes offer more than makes up for it

    “Please don’t try and knock me off.” It’s not exactly the rallying cry of Henry V. And yet, a video released yesterday by London Metropolitan police showing a woman getting pushed off her bike by a pedestrian in a grey hoodie after uttering these words has acted as a balefire to cyclists and their would-be murderers across the internet.
    “Not justifying violence but as a London pedestrian who sees ignorant cyclists like this every day, I understand the rage,” commented @OffencePolice on Twitter. “I would have bitten her finger off,” added @yermastinks. “Most of you cyclist have no no respect to drivers that has to work and look after their family’s,” [sic] added @kelkoca, helpfully.
    To watch a woman get pushed from her bike, into oncoming traffic, to hear her body hit the ground and her cry of fear as she slams against the road, is awful. So imagine then taking to Twitter to write: “Let us know if you catch him so I can buy him a pint,” like “Millwall supporter and general nice bloke” @BermondseyGB did. The fact that the light was red, that the cyclist had right of way, that to push someone into the path of an oncoming car is wilfully dangerous and that giving the finger (as the attacker accuses) is hardly grounds for assault, seems so obvious as to barely be worth saying. And yet it is worth saying. We deserve better than this. We all deserve better than this.
    As a female cyclist, you are all too often the target of a particularly unsavoury male aggression. Whether that’s the violent sexual threats shouted from passing vehicles, the passive aggressive “tutoring” by older men at traffic lights who tell you how to hold your own handlebars, being slowly and wilfully pushed off the road by City boys in their shiny black cars who cannot bear to have the throbbing power of their engine compromised by a woman on a bicycle, or the subtle patronising aggression you can feel from men in bike shops, we’re too often made to feel unwelcome, in the way, out of our depth or unworthy.
    “I hope you die, you cunt,” shouted a cab driver at one female friend after almost killing her on a back street in Angel. “Stupid little whore” shouted a middle-aged white man in an estate car at another, before adding “fucking cyclist scum,” as she dared to turn right at a junction. These sexual threats say: “You don’t deserve to be on the road. You don’t know what you’re doing. You’re indecent, depraved, ignorant and dangerous.” Which, of course, is pure pedal-powered bullshit.
    I have been cycling through cities and across countries since I was nine years old. My first bike – a hand-painted, two-tone purple Raleigh – was more than just an unexpected Prince tribute. It was freedom. I never have to worry about night buses, don’t have to catch a last train, am at liberty to go wherever I want, whenever I want, and at speed.
    The first time I cycled from my front door to the sea (a ride of about 65 miles thanks to a particularly poor map) I stood on the beach, looked out at a bending blue horizon and realised that I had reached the very edge of the country using nothing more than my thighs, sweat and gears. I felt like Tessie Reynolds, the 16-year-old girl who shocked 19th-century England by cycling from London to Brighton and back in eight hours, wearing knee-length breeches. I felt like Sylvia and Christabel Pankhurst cycling around Manchester and London agitating their female comrades. I remembered the words of the American suffrage campaigner Susan B Anthony: “Let me tell you what I think of bicycling: I think it has done more to emancipate women than anything else in the world. I stand and rejoice every time I see a woman ride by on a wheel.”
    From suffragettes to midwives, Olympians to resistance fighters, commuters to campaigners, the history of the bicycle runs like a dual carriageway alongside the history of feminism. Cycling put us in trousers, let us pass messages behind the frontline, stood us on podiums, helped us mobilise in the streets, took us out of our conscribed domestic sphere and taught us the thrill of having the wind in our eyes. Despite the warnings from AD Shadwell published in 1897, our wombs did not fall out, we did not suffer dementia and we avoided the “bulging eyes” and “tightened mandible” that characterised the dreaded (and entirely fictional) “bike face”.
    And we are good cyclists. Many of those victim-blaming on Twitter were keen to point out that cyclists jump red lights, cycle on pavements or hog the road. To which I say yes, sometimes, we do. The mayor of London does, the prime minister does and probably I have too. Primarily because I don’t want to be accidentally crushed by an HGV – one of the few road casualties that disproportionately affects women, too timid to overtake on the right or pull ahead, out of a driver’s blind spot. But the urge to push a woman off her bike while calling her a mug and shouting in her face has very little, if anything, to do with road hogs and red lights.
    Of course, this video is news precisely because it is out of the ordinary; shocking, unpleasant and unexpected. It caused controversy because this isn’t the sort of thing we see every day. As a woman on a bike, you may occasionally feel bullied on and off of the road, but don’t let one furious man colour your view of cycling altogether. Yes, you may sometimes get strangers commenting on your legs, you may get taxi drivers pushing you into parked cars, you may be laughed out of a bike shop for asking about panniers, you may have a door opened on to your oncoming knees, you might get a middle-aged, lycra-clad bore asking “is that’s your dad’s bike, love?”, you might nearly get hit by pedestrians tapping away on their phones and you might get heckled by people outside pubs. But, my god, it’s worth it.
    The world and its roads are there for the taking; we can chase the wind and conquer the weather, we can get anywhere at any time without spending a penny or relying on anyone. A bike is a two-wheeled instrument of freedom, emancipation and power. And most of us don’t even have to worry about crushing our testicles on the crossbar. So go on, put some fun between your legs. Get back in the saddle. You can give a man a fish, but you should give a woman a bicycle."