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Melhoria da qualidade do ar nas Regiões de Lisboa e do Norte com programa publicado

"As medidas e os programas de execução, uns inclusivamente já em curso, vinculam municípios e operadores de transportes


Foram ontem publicados em Diário da República os programas de execução dos planos de melhoria da qualidade do ar das Regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte, aprovados pelo Governo em 2008, alguns deles já em execução.
Este plano constitui uma obrigação nacional perante a Comissão Europeia, a que Portugal deve responder, desde 1999, e a desenvolver planos e programas com vista à melhoria da qualidade do ar quando se verifica a excedência dos valores- limite de poluentes. Assim, verificadas as excedências na Região Norte e de Lisboa e Vale do Tejo, foram feitos os estudos da situação e de medidas possíveis e foram elaborados os planos de melhoria da qualidade do ar e os programas de execução ontem publicados em Diário da República.
As principais medidas previstas nestes programas abrangem a revisão de valores-limite de emissão de poluentes para fontes fixas, como indústrias; incentivos à colocação de filtros de partículas em pesados de mercadorias; desenvolvimento de vias para transportes colectivos ("bus"), carros com dois ou mais ocupantes, ou carros eléctricos (vulgo vias de alta ocupação) e vias de emissão reduzida em artérias de acesso a Lisboa e ao Porto; expansão das redes cicláveis, das zonas pedonais e espaços verdes, assim como a renovação das frotas municipais; incentivo ao uso do transporte público colectivo; limitações de circulação automóvel como "zonas 30"; minimização de emissões de partículas em obras de construção civil; utilização de equipamentos de combustão doméstica mais eficientes.
Estes planos e programa visam a melhoria da qualidade do ar em zonas densamente habitadas, abrangendo as aglomerações da Área Metropolitana de Lisboa Norte, Área Metropolitana de Lisboa Sul e Setúbal, na Região de Lisboa e Vale do Tejo e na Região Norte, as aglomerações do Porto Litoral, Vale do Ave e Vale do Sousa.
O programa foi elaborado para a Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional-Lisboa e Vale do Tejo pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. O documento integra um conjunto de medidas de âmbito municipal e supramunicipal, e para garantir a execução destas medidas, a comissão de coordenação de desenvolvimento regional celebrou já protocolos de colaboração com 14 municípios da Área Metropolitana de Lisboa, especificando as acções concretas a executar em cada concelho."

Fonte:
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/17-09-2009/melhoria-da-qualidade-do-ar-nas-regioes--de-lisboa-e-do-norte-com-programa-publicado-17824414.htm

Por que não viajam os manifestantes de comboio?

in Jornal Público
29.05.2009, Carlos Cipriano

"CGTP acusa CP de preconceito político-sindical por não dar resposta aos pedidos de fretamento de comboios para manifestações
"Nas grandes manifestações em Lisboa - e houve várias nos últimos anos com 100 a 200 mil pessoas - a maior parte dos manifestantes que vem de longe viaja em autocarros alugados pelos sindicatos. Arménio Carlos, da CGTP, refere que uma grande manifestação de 200 mil pessoas tem custos de 600 mil euros só no transporte em autocarros, que costumam ser alugados pelas uniões de sindicatos distritais.
Por que não viajam, então, os manifestantes de comboio? "Porque da CP nem sequer nos respondem. Nos últimos dez anos fizemos vários pedidos e, ou davam-nos preços incomportáveis ou, na maior parte das vezes, não diziam nada". Arménio Carlos diz que desde há dois anos que a CGTP deixou, pura e simplesmente, de pedir orçamentos à transportadora pública.
"Quando foi a reunião do Conselho Europeu no Porto, em 2000, realizamos uma manifestação e quisemos alugar um comboio com partida de Lisboa e não nos disponibilizaram carruagens", diz a mesma fonte, que é responsável pela parte da logística durante as manifestações.
Razões para esta atitude, encontra--as "num preconceito político-sindical" e na "falta de uma visão estratégica por parte das várias administrações da empresa". É que, refere Arménio Carlos, "uma coisa é a CP não ter capacidade e outra é nem sequer dar resposta".
O presidente da CP, Cardoso dos Reis, rejeita estas críticas. "É completamente falso. Não há nem nunca houve quaisquer restrições a esse mercado", disse ao PÚBLICO. "Ninguém nos contacta nesse sentido porque acham que não é cómodo alugar transporte ferroviário e preferem acomodar as pessoas em 50 autocarros com horários flexíveis do que reuni-las todas num comboio".
Manuel Grilo, do Sindicato dos Professores, corrobora esta tese. "Por que não usamos o comboio? "Os autocarros são mais flexíveis em termos de recolha nas pequenas localidades. É mais fácil que cada escola alugue o seu próprio autocarro e os professores gostam de vir juntos".
Uma ideia que é contrariada por alguns clientes dos serviços especiais da CP que vêem na possibilidade de se poder circular entre as carruagens uma vantagem do comboio. É o caso da Associação Académica do Porto, que ainda há um ano levou centenas de estudantes ao Algarve num composição que pudesse ser percorrida de ponta a ponta para facilitar o convívio entre os estudantes.
Na manifestação de professores de 8 de Novembro, o SPGL estima em cerca de 800 o número de autocarros alugados, alguns dos quais em Espanha por já não haver em Portugal oferta para aquele pico de procura.
Os custos dessa operação ascenderam a 250 mil euros, segundo o mesmo dirigente. Mas quanto custa ao país centenas de autocarros nas estradas que podiam ser substituídos por meia dúzia de comboios? O simulador ambiental da CP só compara o modo ferroviário com o transporte individual, omitindo, assim, o autocarro. Mas entre Lisboa e o Porto, enquanto um automóvel emite 41kg de dióxido de carbono por passageiro, o Alfa Pendular, com 300 passageiros a bordo, só emite 13kg per capita. Uma diferença suficientemente grande para se perceber que, mesmo transportando o autocarro muito mais gente que um veículo ligeiro, o comboio é um modo de transporte mais "limpo".
Numa manifestação de 100 mil pessoas vindos de todo o país, se 10 por cento viajasse sobre carris, bastariam 10 comboios de mil pessoas para se evitar 200 autocarros na estrada.
O problema é que a CP já não tem frota para responder a um tal pico de procura porque tem vindo a vender dezenas de carruagens para a Argentina. Uma forma de evitar custos de manutenção a material que passa a maior parte do tempo parqueado e de encaixar algum dinheiro nos depauperados cofres da empresa.
O PÚBLICO perguntou à CP quanto custaria fretar uma composição com mil pessoas entre Campanhã e Santa Apolónia, num sábado de Maio, com chegada a Lisboa às 14h30 e regresso à Invicta ao fim da tarde. Um horário adaptado a uma manifestação. E o pedido foi satisfeito, três dias úteis depois, com os seguintes preços: um comboio realizado com automotoras eléctricas de serviço regional custa 11.433 euros (11,43 euros por pessoa em viagem de ida e volta); um comboio com 12 carruagens e um nível de conforto melhorado custa 14.088 euros (14 euros por pessoa)."

Fonte:
http://jornal.publico.clix.pt/