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Hortelões notificados para abandonar terrenos em Sintra

in Jornal Público, 12.12.2011
Inês Boaventura

"Os hortelões que há vários anos cultivam as hortas junto ao Bairro 1º de Maio, no Monte Abraão, foram notificados pela Polícia Municipal de Sintra para abandonar aqueles terrenos camarários até ao fim do mês. A presidente da junta de freguesia diz que não compreende ou aceita esta decisão, à qual promete "bater o pé".
Uma das hortas é mantida por habitantes do bairro "há quase 30 anos" e a outra, segundo explica Ricardo Canelas, um dos mentores do projecto, por um grupo de jovens que ali se instalou em 2008. Numa carta aberta dirigida ao presidente da Câmara de Sintra, os hortelões lembram que "já por várias ocasiões as autoridades vieram destruir as hortas, em todas elas para deixar o terreno num estado abandonado e lamentável".

Desta vez a autarquia justificou o despejo com a informação que fez chegar aos hortelões, dizendo que aqueles terrenos se destinam à "construção de equipamentos sociais, culturais, desportivos, educativos ou de serviços públicos". A presidente da Junta de Freguesia de Monte Abraão, Fátima Campos, explica que os terrenos se destinam à nova sede da junta, a um centro comunitário e a um campo de desportos radicais, mas garante que "infelizmente não vai começar nada" num futuro próximo. Assim sendo a autarca não vê qualquer razão para se acabar com as hortas. "É preferível ter ali um terreno baldio com lixo e entulho de obras?", pergunta a eleita do PS.

Fátima Campos não percebe por que motivo a câmara não deixa as pessoas sossegadas, sublinhando que os espaços de cultivo são importantes para a subsistência de alguns dos habitantes do Bairro 1º de Maio. "Vou bater o pé e opor-me a isto. Já escrevi ao presidente e aos vereadores a apelar ao bom senso do executivo", acrescenta.

Na carta aberta dirigida ao presidente do município, Fernando Seara (PSD), os hortelões lamentam "a incoerência da câmara municipal", que "alega interessar-se pelas hortas urbanas e anuncia até estar a desenvolver um projecto de hortas comunitárias em zonas urbanas do concelho, e depois mostra desprezo total por um projecto já em curso".

Nessa missiva é também feito o pedido à autarquia para que no dia em que começarem as obras nos terrenos junto ao Bairro 1º de Maio seja disponibilizado a quem hoje cultiva a terra "um outro terreno devoluto, dos vários existentes nas imediações". Apesar do contacto, não foi possível obter esclarecimentos do gabinete de imprensa da câmara."

Fonte e imagem:

Homenagem a Gonçalo Ribeiro Telles na Gulbenkian


in Jornal Público
07.12.2011 - 11:12 Por Lucinda Canelas

"Gulbenkian e Centro Nacional de Cultura celebraram ontem o paisagista Gonçalo Ribeiro Telles. Colegas do ensino e da política, alunos e amigos quiseram honrar o mestre e, sobretudo, o homem.

Gonçalo Ribeiro Telles falou no fim, como compete ao homenageado. Com o auditório 2 da Gulbenkian cheio, com muitas pessoas de pé, o arquitecto paisagista a quem muitos chamam "mestre" admitiu o desconforto: "Nunca estive tão envergonhado para falar." Deram-lhe a palavra depois de um dia de testemunhos de alunos, discípulos, amigos e companheiros de vida política, uns monárquicos, como ele, outros não.

"Conhecemo-nos no combate à ditadura e é curioso que, sendo ele um monárquico e eu um republicano dos sete costados, a nossa empatia tenha sido imediata", lembrou Mário Soares já na recta final do encontro Gonçalo Ribeiro Telles - Um Homem de Serviço, que a Gulbenkian e o Centro Nacional de Cultura (CNC) organizaram ontem em Lisboa.

Pensador e político com um sentido cívico inultrapassável, defensor da liberdade e do direito à originalidade de ideias, disseram muitos dos oradores, Ribeiro Telles é, sobretudo, "uma pessoa extraordinária", sublinhou Soares: "Quando se fala do Gonçalo, há o problema dos afectos. Admiramo-lo pela sua verticalidade, pela sua obra, pela sua coragem, mas, mais do que isso, temos-lhe um afecto enorme pela pessoa que ele é."

Aos 89 anos, o político que foi membro da Aliança Democrática (AD), governante e deputado, fundador do Partido Popular Monárquico (PPM) e do Movimento Partido da Terra, ou o arquitecto paisagista a quem devemos as reservas agrícola e ecológica nacionais, os jardins da Gulbenkian (com António Viana Barreto) e o Amália Rodrigues, sente que tem ainda uma palavra a dizer. "Quero ser útil ao momento presente", dissera ao PÚBLICO antes da intervenção final.

E ser útil hoje é falar do despovoamento do mundo rural, da morte lenta das cidades, da "paisagem que é ainda um problema", porque os políticos, desinformados, continuam a dizer que querem defender os ecossistemas e a achar, ao mesmo tempo, que um eucaliptal é uma floresta: "Eles não sabem que nos eucaliptais não cantam os passarinhos e na floresta sim." O que é que lhes falta para saber olhar para o território? "Andar a pé, conhecer o país inteiro, as pessoas", responde este homem para quem "é mais fácil deixar marcas na paisagem do que nas pessoas".

Saber falar com as pessoas é uma das qualidades deste paisagista afável e atento, garantiu o comentador político Luís Coimbra. E, para o provar, contou uma história dos tempos da AD. Andavam na estrada em campanha eleitoral quando Ribeiro Telles desapareceu. Como todos estavam já à espera para entrar nos carros, Coimbra decidiu ir procurá-lo.

Mais bosques e mais hortas
"Chovia muito e eu fui dar com ele à porta de uma vacaria, a explicar aos agricultores que era melhor deixar os animais à solta no pasto do que alimentá-los com rações", lembrou Coimbra, com quem o arquitecto paisagista se cruzou pela primeira vez em meados dos anos 60. Para ele, Ribeiro Telles é um "político falhado" a quem reconhece "convicções firmes" e uma liberdade de pensamento inegociável. Porquê um político falhado? Coimbra esclarece: porque, apesar de ter razão, "as suas ideias para um desenvolvimento sustentado de Portugal ficaram para trás", por falta de inteligência de governos e governantes.

É precisamente a inteligência que falta a muitos que António Barreto, Guilherme d"Oliveira Martins e Eduardo Lourenço elogiaram neste homem de família, professor e cidadão que tem formado gerações através do exemplo e defendendo sempre "o ambiente como uma causa total", disse Augusto Ferreira do Amaral, dirigente do PPM.

Avesso aos jogos partidários, o paisagista tem sido essencialmente, segundo Freitas do Amaral, "um homem bom", que encarou a política como acto de cidadania e "a ecologia como a causa de uma democracia reformista". Se Portugal cumprisse a "excelente legislação" que Ribeiro Telles ajudou a fazer, defendeu o professor de Direito, "sem violações e sem excepções superiores à regra, seria incomparavelmente melhor".Teria, certamente, mais "lugares de paz e sossego, mais bosques e hortas", garantiu o sociólogo António Barreto, que foi seu colega de Governo, numa comunicação intensa, em que não se cansou de falar da independência de Ribeiro Telles e da sua paixão pela cidade. "Homem generoso e doce, mas firme", disse-o várias vezes Barreto, vê em cada espaço verde desperdiçado e em cada ribeira destruída uma derrota.

Voz activa na sociedade portuguesa há mais de 50 anos, Ribeiro Telles foi muitas vezes ignorado, acrescentou o sociólogo, mas o tempo deu-lhe razão. E teve um raro privilégio, concluiu Barreto: "Realizou um dos grandes sonhos dos homens cultos - fez jardins."

Jardins que são tentativas de paraíso, lembrou Eduardo Lourenço, defendendo que o paisagista é um "poeta da relação com a Terra", um "utopista novo": "Gonçalo Ribeiro Telles é uma mistura do ecologista-mor que foi Francisco de Assis com o botanista maravilhoso e romancista fantástico que foi Jean-Jacques Rousseau."

Para que não restassem dúvidas, o ensaísta fez questão de explorar este paraíso que o arquitecto foi trabalhando e falou da paisagem como se ela fosse a cara humana que a natureza nos reenvia. "Sempre tentámos criar com as nossas próprias mãos o paraíso", insistiu o ensaísta. Ribeiro Telles tentou tanto e tão bem que merece um título especial - Lourenço chamou-lhe "o jardineiro de Deus"."

Fonte e imagem:
http://www.publico.pt/Cultura/quando-um-homem-cria-paraisos-devemos-chamarlhe-jardineiro-de-deus-1524106

Reciclagem na Horta


Caixa de Take-away
"Muitas pessoas não fazem ideia de quanto poderão gastar na construção de uma horta na varanda ou terraço.

Mesmo que esta actividade envolvesse custos mais significativos, valeria sempre a pena pela experiência em si, pela terapia anti-stress que nos proporciona, pela vertente pedagógica quando é solicitada a participação das crianças, e pelo facto de nos permitir o consumo de legumes isentos de tóxicos.

Se reciclarmos objectos de uso diário na horta, não só estamos a ter uma atitude ecológica de reutilização, como conseguiremos fazer uma horta com custos irrisórios.

Para começar, os custos inevitáveis são

o da aquisição de terra (para quem não tem terreno ou canteiros), sendo que o preço médio de um saco com 50 litros de terra está entre os 3,5€ e os 6€, e os da aquisição de sementes – cada pacote custa entre 0,70€ e 2€.
 



Tudo o resto poderá resultar do reaproveitamento de coisas que, normalmente seguiriam para o contentor do lixo ou da reciclagem.





Exemplos:

Para iniciarmos a nossa horta, e começando pela sementeira, em vez dos tradicionais tabuleiros de germinação, porque não utilizar copos de iogurte, embalagens de margarina, caixas de take-away, e garrafas de plástico?
Basta ter o cuidado de perfurar os recipientes na base, de modo a permitir o bom escoamento do excesso de água.

 
Copo biodegradável

Existem copinhos biodegradáveis para sementeira, à venda nas casas da especialidade, cuja vantagem é o facto de não termos de retirar a plantinha do seu interior para a colocarmos no local definitivo, enterrando o copo, que se irá degradar deixando de obstruir o desenvolvimento das raízes. Para os substituirmos, podemos utilizar os rolos de papel higiénico, da seguinte forma:





         
Rolo de papel higiénico




 
Embalagem de leite recortada e perfurada"


Fonte e imagens:
http://cidadedashortas.blogspot.com/2011/05/reciclagem-na-horta-i.html?spref=fb

Cidadãos de Torres Vedras incentivados a criar hortas domésticas

Foto: Foto: Adriano Miranda/arquivo
in Jornal Público, 13.04.2011
Lusa 

"Os cidadãos da cidade de Torres Vedras estão a ser incentivados a criar hortas domésticas onde possam cultivar alimentos e trocá-los com outros cidadãos, através de um projecto de uma associação cultural.
“Queremos contrariar a ideia de que em casa não se pode ter uma horta e que só é possível se tivermos um terreno”, explicou o director-executivo da associação cultural Transforma, Luís Firmo, que pretende incentivar os cidadãos a criar hortas domésticas em vasos que poderão ter na varanda, na cozinha ou em qualquer outro espaço da habitação.

Na feira rural da cidade, que acontece uma vez por mês, a associação vai ter uma banca onde os cidadãos podem deixar a produção excedentária, como morangos, ervas aromáticas ou legumes, e trocá-la gratuitamente por outros que não tenham.

Com o projecto, a Transforma quer trazer os cidadãos para as artes através dos hábitos do quotidiano.

Além de workshops para ensinar as pessoas a criar as hortas e dar a conhecer as melhores práticas de cultivo dos produtos, a Transforma vai também promover iniciativas que procuram incentivar os cidadãos a “dialogar com as artes” enquanto outras formas de cultura. Até Junho, estão agendados eventos relacionados com alimentação saudável e com a compostagem doméstica, mas também com a literatura alusiva, por exemplo, a vegetais e frutos ou com as artes plásticas.

A decorrer até ao final do ano, o projecto tem também uma vertente educativa, em que as crianças podem adquirir pequenos vasos com sementes para levar para casa e cultivá-las."

Fonte e imagem:

Ribeiro Telles, entrevista no Jornal i

in Jornal i, por Enrique Pinto-Coelho, Publicado em 09 de Outubro de 2009

"Tem aversão pelos jogadores de golfe e paixão pelos reis. Critica a visão "mercantilista" do território e propõe umas "cidades-região" com mais hortas e menos edifícios.

Arquitecto paisagista e ex-ministro da Qualidade de Vida (1981- 1983), Gonçalo Ribeiro Telles foi pioneiro da defesa do ambiente em Portugal. Há 20 anos, coordenou uma série de projectos para Lisboa e a área metropolitana, incluindo um plano para unir o Parque de Monsanto à cidade através de um "corredor verde", bacias de retenção no vale de Alcântara e hortas sociais em Chelas. Actualmente combate em tribunal o Polis Costa da Caparica, um "desastre" que, segundo ele, vai erradicar as hortas e substituí-las por hotéis e auto-estradas.

Nasceu em Lisboa há 87 anos. Viu a cidade crescer e transformar-se, interveio, denunciou e agora a câmara está a recuperar projectos coordenados por si que tinham ficado na gaveta.
João Soares, quando deixou a câmara, deixou um Plano Verde para ser integrado na revisão do PDM. Esta revisão devia ter sido feita, por lei, em 2004. No entanto, a câmara da altura, do Carmona Rodrigues, borrifou-se para a revisão do PDM e entre 2004 e 2009 pôde-se fazer o que se queria usando um plano director que devia ter sido revisto. Afinal o plano foi aprovado na assembleia municipal há pouco tempo e por isso é que se estão a realizar os primeiros corredores ecológicos para resolver o primeiro problema da agricultura urbana, que são as hortas sociais.

É a favor das portagens nas cidades?
Para quê?

Para limitar a entrada de carros nas cidades.
Acho muito bem que se limite a circulação de determinadas maneiras, mas a melhor forma é através do urbanismo regional, ir às causas e não às consequências.

O problema é que há muitos carros na cidade, e as pessoas gostam de ir de carro e muitas vezes precisam de o fazer...
Ai gostam? Mas isso é que não pode ser... O prestígio da circulação automóvel face ao transporte público é fomentado por um mau urbanismo.

Tem ou teve carro?
Eu tenho carro, mas nunca ando com ele na cidade. Também porque não preciso: moro dentro da cidade e tenho o metro, os autocarros e o carro quando quero ir passear para a província. Na cidade só passeio de táxi (risos).

É um carro na mesma.
Sim, mas não é para passear, é para ir mais depressa numa situação de emergência. Mas prefiro o metropolitano.

A rede de metro não é muito grande e não serve para todos.
Mas está a aumentar e é fundamental.

As autoridades regionais são competentes?
A maior parte das autoridades regionais, e as locais, não têm sido. Há excepções estupendas, como Guimarães, mas de uma forma geral a luta contra a REN [Reserva Ecológica Nacional] e a RAN [Reserva Agrícola Nacional] e toda a base do ordenamento do território foi trágica para o país. Basta ver o que se passa nas hortas da Caparica.

Apesar disso defende a regionalização. Acredita que iria melhorar as competências das autoridades regionais?
Conforme... se for feita com base no costume, na cultura e na realidade das relações humanas actuais, na história e na memória, óptima regionalização. Se for feita com base aritmética, de votos ou de números, não.

Ajudou a fundar o Partido Popular Monárquico (PPM), uma formação que obteve menos de 1% dos votos nas últimas eleições legislativas.
Sim, mas já não tenho nada a ver com esse partido. Aquilo foi ocupado por um grupo de pessoas que arranjaram uma assembleia e a comunicação social achou que aquilo é que era o PPM. Toda a gente que era do PPM saiu...

Os históricos?
Não, os que eram. O Luís Coimbra, o Henrique Ruas, que já morreu, eu... Não aceitávamos a criação de um partido exclusivamente monárquico. Ao PPM do antigamente deve-se toda a organização do território. Quem é que inventou a RAN? Quem é que estabeleceu a REN? Quem formou os planos regionais de ordenamento do território [PROT]? Todas estas leis foram feitas pelo PPM em 1983, no oitavo governo com o [primeiro- -ministro de então, Francisco Pinto] Balsemão. Aquilo acabou, agora são uns fulanos.

Ainda acredita que a monarquia faz sentido em Portugal?
Sem a monarquia, Portugal desaparece.

Depois do PPM participou na fundação do Partido da Terra (MPT), que também conseguiu menos de 1% dos votos...
A culpa é do mercantilismo das autarquias, que resolveram usar o território como mercadoria só para quem quisesse construir. E portanto temos o país todo construído, e a maior parte das casas estão vazias...

O mercantilismo não explica o insucesso do MPT.
Ai explica, perfeitamente!

E explica o sucesso do Bloco de Esquerda (BE)?
O BE cresceu mas não derrotou o mercantilismo.

Diz que a fragmentação é o maior problema do actual Ministério do Ambiente. Pode explicar melhor?
O que devia haver era um Ministério do Ordenamento da Paisagem.

Pode identificar as áreas em que o ministério está a falhar mais?
Ordenamento do território. Destruição dos melhores solos de cultura agrícola. Protecção à monocultura industrial de pinheiro bravo e eucalipto. Basta ver a lei que saiu agora que diz que a madeira passou a ser produto agrícola. É uma forma de conceder os melhores solos, os da primeira classe da RAN, aos eucaliptos. Isto é criminoso. Quer pior que isto? Outra coisa indecente são os PIN [Projectos de Interesse Nacional], que podem passar por cima de toda a legislação sobre o território."

Fonte e imagem:

Edible City


(Clicar na imagem para ver um pequeno vídeo sobre o projecto)


"About this project
Hidden between buildings and across networks of backyards, germinating in classrooms and sprouting up in city centers, a grassroots movement is thriving in the Bay Area . . .
Edible City is the forthcoming documentary from East Bay Pictures, following the stories of folks who are digging their hands into the dirt, fighting for sustainability and social justice by doing something truly revolutionary: growing a local food system.
Now is the time to tell this story about real people making real change! Edible City will provoke critical thought, further the dialogue surrounding food and our food system, and inspire audiences to action."

Fonte:
http://www.kickstarter.com/projects/andrewhasse/edible-city-faces-of-the-food-revolution