Eis o seu cérebro ao ar livre

Perto de Seul, na Coreia do Sul, centro agitado da vida contemporânea,
Sungvin Hong descansa após uma caminhada no Parque nacional de Bukhansan.
O parque atrai cerca de cinco milhões de visitantes por ano.
Texto Florence Williams   Fotografias Lucas Foglia

"Se partirmos para o deserto, David Strayer é o tipo de homem que queremos ao volante. Nunca envia mensagens nem fala ao telefone enquanto conduz. Nem sequer aprova que se coma dentro do carro. Psicólogo cognitivo da Universidade de Utah, David sabe que os nossos cérebros são propensos a erros, sobretudo quando executamos várias tarefas em simultâneo. Entre outras coisas, a sua investigação demonstrou que a utilização do telemóvel prejudica tanto os condutores como o consumo de álcool. Por isso, encontra-se numa posição singular para compreender os efeitos da vida moderna sobre as pessoas. Ávido viajante de mochila às costas, está convencido de que conhece o antídoto perfeito: a natureza.
No terceiro dia de uma excursão campista aos desfiladeiros bravios junto de Bluff, no estado norte-americano de Utah, David explica aquilo que apelida de “efeito dos três dias” a 22 alunos de psicologia. Os nossos cérebros não são máquinas de 1,4 quilogramas. Cansam-se com facilidade. Quando abrandamos, interrompemos o trabalho acelerado e nos deixamos rodear por belas paisagens naturais, não só sentimos um efeito rejuvenescedor como o nosso desempenho mental melhora. David demonstrou-o com um grupo de participantes da organização Outward Bound, cujo desempenho em tarefas de resolução de problemas criativos melhorou 50% após três dias de campismo ao ar livre. Segundo ele, o efeito dos três dias é um tipo de limpeza do pára-brisas mental que ocorre quando estamos imersos na natureza durante tempo suficiente. Nesta viagem, ele espera captá-lo em acção, ligando os seus alunos e eu a um dispositivo portátil de EEG, que regista ondas cerebrais.
“Ao terceiro dia, os meus sentidos recalibram-se. Cheiro e ouço coisas que não ouvia nem cheirava anteriormente”, explica. O sol do fim da tarde saturou as paredes vermelhas do desfiladeiro. O grupo está sereno e esfomeado. “Estou mais sintonizado com a natureza”, acrescenta. “Se tivermos a experiência de viver no presente durante dois ou três dias, isso parece fazer diferença no raciocínio qualitativo.”
Segundo esta hipótese, a permanência em espaços naturais permite ao córtex pré-frontal, o centro de controlo do cérebro, abrandar e descansar, como um músculo extenuado. David pretende comparar as nossas ondas cerebrais com as de voluntários semelhantes que se encontram sentados num laboratório ou num parque de estacionamento na baixa da cidade de Salt Lake City.
Os alunos de David enfiam-me a cabeça numa espécie de touca de banho com 12 eléctrodos incorporados. Colocam outros seis eléctrodos sobre o meu rosto. Os fios que deles emergem enviarão os sinais eléctricos do meu cérebro para um gravador. Caminho cuidadosamente até à margem relvada do rio San Juan para dez minutos de contemplação repousante. É suposto que não pense em nada. Devo limitar-me a observar o amplo e reluzente rio. Não olho para um computador ou telemóvel há dias. Por momentos, é fácil esquecer-me que alguma vez os tive.
Em 1865 o arquitecto paisagista Frederick Law Olmsted olhou para o vale de Yosemite e viu um lugar que valia a pena preservar. Incitou os legisladores californianos a protegê-lo. Olmsted estava convencido de que deveriam existir belos espaços verdes para usufruto de todos. “É um facto científico que a contemplação ocasional de cenários naturais de carácter impressionante… é favorável para a saúde e vigor dos homens e sobretudo para a saúde e vigor dos seus intelectos”, escreveu.
A afirmação baseava-se mais em intuição do que em ciência. No entanto, era uma intuição com uma longa história. Remontava a Ciro, o Grande, que, há cerca de 2.500 anos, construiu jardins para se descontrair na movimentada capital da Pérsia. Paracelso, o médico germano-suíço do século XVI, deu voz à mesma intuição quando escreveu: “A arte de curar vem da natureza, não do médico”. Em 1798, sentado na margem do rio Wye, William Wordsworth deleitou-se com a maneira como “um olho serenado pelo poder / Da harmonia” proporcionava alívio da “febre do mundo”. Escritores norte-americanos como Ralph Waldo Emerson e John Muir herdaram essa perspectiva. Juntamente com Olmsted, defenderam, espiritual e emocionalmente, a necessidade de criar os primeiros parques nacionais do mundo, afirmando que a natureza possuía poderes curativos.
Nessa época, não havia muitas provas, mas isso mudou. Motivados por problemas de saúde pública de enorme magnitude como a obesidade, a depressão e a miopia generalizada, doenças claramente associadas ao tempo passado em locais fechados, David Strayer e outros cientistas estão a olhar com interesse renovado para a forma como a natureza afecta os nossos cérebros e corpos. Partindo de avanços na neurociência e na psicologia, os parâmetros (desde hormonas de stress à frequência cardíaca, das ondas cerebrais aos marcadores de proteína) indicam que, citando David, “há qualquer coisa de profundo que acontece” quando passamos tempo em espaços verdes.
Em Inglaterra, investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter analisaram recentemente dados da saúde mental de dez mil habitantes da cidade. Concluíram que as pessoas que viviam em zonas mais perto de espaços verdes relatavam menos sofrimento mental, mesmo após os devidos ajustes para os rendimentos, formação e emprego (todos igualmente correlacionados com a saúde). Em 2009, uma equipa de investigadores holandeses identificou menor incidência de 15 doenças (incluindo depressão, ansiedade, doença cardíaca, diabetes, asma e enxaquecas) em pessoas que viviam a menos de um quilómetro de espaços verdes. A diminuição da mortalidade e o decréscimo das hormonas de stress em circulação no sangue também podem ser associados à vida nas proximidades de espaços verdes.
Com base neste tipo de estudos, dificilmente conseguimos identificar a razão pela qual as pessoas se sentem melhor. Será do ar puro? Haverá algumas cores, ou formas fractais, responsáveis pela activação de substâncias neuroquímicas no nosso córtex visual? Ou simplesmente os moradores dos bairros mais arborizados utilizam mais os parques para se exercitarem? Foi o que Richard Mitchell, epidemiologista da Universidade de Glasgow, na Escócia, pensou inicialmente. Depois, porém, organizou um estudo abrangente que descobriu menor incidência de mortes e doenças em residentes nas proximidades de parques ou outros espaços verdes, mesmo que não usufruíssem deles. “Os nossos próprios estudos e outros mostram estes efeitos restauradores, quer as pessoas passeiem ou não”, diz. Além disso, as pessoas com menores rendimentos pareciam ser as mais beneficiadas.
Richard e outros investigadores suspeitam que a natureza reduz os níveis de stress. Comparadas com indivíduos com péssimas perspectivas a partir das suas janelas, as pessoas que conseguiam ver árvores ou vegetação rasteira a partir de uma janela demonstraram recuperações hospitalares mais rápidas, melhor desempenho escolar e até comportamentos menos violentos em bairros onde a violência é comum. Estes resultados encontram correspondência em estudos experimentais do sistema nervoso central. Os parâmetros de hormonas de stress, respiração, frequência cardíaca e transpiração indicam que “pequenas doses” de natureza (ou mesmo imagens do mundo natural) podem acalmar os seres humanos e melhorar o seu desempenho.
Na Suécia, a médica Matilda van den Bosch descobriu que, após uma tarefa matemática desgastante, a variabilidade da frequência cardíaca dos sujeitos, um indicador que diminui com o stress, regressou mais depressa ao normal depois de assistirem a imagens de natureza e ouvirem pássaros cantar numa sala de realidade virtual do que se estivessem sentados numa sala vazia. Uma experiência encontra-se actualmente em curso na casa de correcção Snake River, no estado de Oregon. Os funcionários do centro relataram a observação de comportamentos mais calmos nos reclusos em regime de solitária que se exercitam 40 minutos por dia, vários dias por semana, numa “sala azul”, onde são reproduzidos filmes com cenas da natureza, comparados com os que fazem exercício no ginásio, sem filmes. “Primeiro, pareceu-me uma loucura”, contou o guarda prisional Michael Lea. Mas ele viu a diferença. “Há muitos gritos, muito altos, o eco é horrível no ginásio”, explica. “Na sala azul, eles não costumam gritar.”
Um passeio de 15 minutos pela floresta provoca alterações fisiológicas. Investigadores japoneses chefiados por Yoshifumi Miyazaki na Universidade Chiba organizaram passeios de 84 sujeitos em florestas diferentes, enquanto o mesmo número passeava em centros urbanos. Os caminhantes da floresta demonstraram uma redução de 16% do cortisol, a hormona do stress, 2% na tensão arterial e 4% na frequência cardíaca. Yoshifumi crê que os nossos corpos descontraem em paisagens naturais porque foi aí que evoluíram. Os nossos sentimentos estão adaptados a interpretar informação sobre plantas e riachos e não sobre trânsito e arranha-céus.
Todas estas provas dos benefícios da natureza surgem numa altura em que o desligamento é dominante, refere Lisa Nisbet, da Universidade de Trent. Os norte-americanos adoram os seus parques naturais, mas o número de visitas tem diminuído desde o aparecimento do correio electrónico. O mesmo se verifica com os passeios na rua. Um inquérito recente da Nature Conservancy concluiu que apenas 10% dos adolescentes norte-americanos passa tempo no exterior todos os dias. Segundo uma investigação da Escola de Saúde Pública de Harvard, os adultos norte-americanos passam menos tempo ao ar livre do que no interior de veículos: menos de 5% do seu dia.
“Os seres humanos subestimam o efeito da felicidade” de estar ao ar livre, resume Lisa Nisbet. “Não o encaram como forma de aumentar a felicidade. Pensam que ir às compras ou ver televisão também resulta. Nós evoluímos na natureza. É estranho que estejamos tão desligados.” Algumas pessoas, porém, começam a agir nesse sentido.
Nooshin Razani, do Hospital Pediátrico UCSF Benioff, na Califórnia, é uma de vários médicos que repararam nos dados que têm surgido sobre a natureza e a saúde. Ela está a dar formação a pediatras no sentido de que estes prescrevam aos jovens doentes e às suas famílias visitas a parques próximos. Os governos de alguns países também estão a promover experiências na natureza como política de saúde pública. Na Finlândia, investigadores financiados pelo governo pediram a milhares de pessoas que classificassem os seus humores e níveis de stress após visitarem zonas naturais e urbanas. Com base nesse e noutros estudos, Liisa Tyrväinen e a sua equipa do Instituto de Recursos Naturais da Finlândia recomendam uma dose mínima de cinco horas mensais de natureza – várias visitas curtas por semana – para combater a depressão. “Um passeio de 40 a 50 minutos parece suficiente para causar alterações fisiológicas e de humor e provavelmente melhora a atenção”, explica Kalevi Korpela, da Universidade de Tampere. Kalevi ajudou a projectar meia dúzia de “trilhos de energia” que encorajam passeios, estados de atenção plena e reflexão.
Talvez ninguém tenha acolhido a “medicalização” da natureza com mais entusiasmo do que os sul-coreanos. Muitos sofrem de stress laboral, dependência digital e pressões académicas intensas. Segundo um inquérito da gigante electrónica Samsung, mais de 70% dos sul-coreanos revelam que os seus empregos os deprimem. No entanto, este país economicamente poderoso tem uma longa história de adoração dos espíritos da natureza. O antigo provérbio Shin to bul ee (o corpo e a terra são um só) ainda é popular.
Na Floresta Curativa de Saneum, a leste de Seul, um “vigilante de saúde” oferece-me chá de casca de olmo e depois leva-me a passear junto de um pequeno ribeiro, atravessando bosques de áceres vermelhos, carvalhos e pinheiros-mansos. Estamos no Outono, a estação da mudança de cor da folhagem. O ar fresco atrai bastantes refugiados urbanos. Quarenta bombeiros de meia-idade diagnosticados com perturbação de stress pós-traumático foram agrupados em pares e distribuídos por passadiços de madeira, no âmbito de um programa de três dias. Após uma manhã de caminhada, praticam ioga, esfregam os antebraços uns dos outros com óleo de alfazema e fazem colagens delicadas com folhas secas. Entre eles encontra-se Kang Byoung-wook, um homem desgastado de 46 anos originário de Seul. Recentemente regressado de um grande incêndio nas Filipinas, tem uma aparência exausta. “É uma vida fatigante”, diz. “Quero viver aqui durante um mês.”
Saneum é uma das três florestas curativas oficiais da Coreia do Sul, mas estão projectadas mais 34 até 2017, o que significa que a maioria das cidades principais terá uma por perto. A Universidade de Chungbuk oferece um programa de licenciatura em “cura florestal” e as oportunidades de emprego para os licenciados são boas: o Departamento Florestal da Coreia espera nomear quinhentos vigilantes de saúde nos próximos dois ou três anos. Os programas incluem meditação pré-natal na floresta, artesanato para pacientes de cancro e enterros na floresta. Um “comboio de felicidade” gerido pelo governo transporta crianças que foram vítimas de bullying até acampamentos de dois dias na floresta. Um centro de regeneração, com um custo de cerca de oitenta milhões de euros, encontra-se actualmente em construção junto do Parque Nacional de Sobaeksan.
Antigamente, os cientistas do Departamento Florestal da Coreia investigavam o rendimento da madeira de corte. Agora, destilam óleos essenciais de árvores como o cipreste hinoki e estudam-nos pela sua capacidade de reduzir as hormonas do stress e os sintomas da asma. Na nova cidade industrial de Deajun, visito o ministro das florestas, Shin Won Sop, um sociólogo que estudou os efeitos da terapia florestal em alcoólicos. O bem-estar humano é agora um objectivo formal do plano florestal do país, contou. Graças às novas políticas públicas, os visitantes das florestas coreanas aumentaram: de 9,4 milhões em 2010 para 12,8 milhões em 2013.
“É claro que ainda utilizamos economicamente as florestas”, afirmou o ministro. “Creio porém que o domínio da saúde é o fruto que a floresta tem para dar neste instante.” O organismo que dirige tem dados indicativos de que a cura florestal reduz os custos da saúde e beneficia as economias locais. Aquilo que ainda é necessário, segundo afirma, é a apresentação de melhores dados sobre doenças específicas e as qualidades naturais que fazem a diferença. “Quais os factores da floresta que têm maior responsabilidade pelos benefícios fisiológicos e que tipos de floresta são mais eficazes?”, pergunta o meu interlocutor.
O meu próprio cérebro urbano, que passa grande parte do ano na cidade de Washington, DC, parece gostar muito da natureza bravia do Utah. Na viagem de campismo de David Strayer, caminhamos entre figueiras-da-índia durante o dia e sentamo-nos à volta da fogueira durante a noite. Os alunos parecem mais descontraídos e sociáveis do que na sala de aula e fazem melhores apresentações dos seus trabalhos, explica o professor. O que se passa nos seus cérebros e no meu?
Muitas coisas, a avaliar pelos resultados da investigação em neurociência que começam a surgir. Investigadores coreanos utilizaram dispositivos de ressonância magnética para verificar a actividade cerebral de pessoas que observam imagens diferentes. Quando os voluntários viam cenas urbanas, os seus cérebros mostravam maior afluxo sanguíneo na amígdala, responsável pelo processamento do medo e da ansiedade. Pelo contrário, as cenas de natureza iluminaram o córtex cingulado anterior e a ínsula, áreas associadas à empatia e ao altruísmo. Além de nos acalmar, talvez a natureza nos torne mais simpáticos.
Talvez também nos torne melhores para nós próprios. Greg Bratman, investigador de Stanford, e os seus colegas examinaram os cérebros de 38 voluntários antes e depois de estes caminharem durante 90 minutos num parque grande ou numa rua movimentada na baixa de Palo Alto. Os caminhantes da natureza, mas não os da cidade, revelaram diminuição de actividade no córtex pré-frontal subgenual, uma área do cérebro associada ao pensamento depressivo recorrente. Greg crê que a vida ao ar livre, num ambiente agradável (não em lugares onde as pessoas estejam a ser devoradas vivas por mosquitos ou fustigadas por granizo) nos transporta para fora de nós mesmos de uma maneira positiva. A natureza, afirma, pode influenciar “a forma como afectamos a nossa atenção e a nossa focagem, ou não, em emoções negativas”.
David Strayer está mais interessado no modo como a natureza afecta a capacidade de resolução de problemas complexos. A sua investigação tem por base a teoria de restauro da atenção proposta pelos psicólogos ambientais Stephen e Rachel Kaplan da Universidade de Michigan. Estes defendem que são os elementos visuais das paisagens naturais (o pôr do Sol, os riachos, as borboletas) que reduzem o stress e a fadiga mental. Fascinantes, mas não demasiado exigentes, estes estímulos promovem um tipo de concentração suave e subtil que permite aos nossos cérebros divagar, descansar e recuperar daquilo a que Olmsted chamou “irritação nervosa” da vida urbana. “A fascinação suave… propicia um modo mais reflexivo”, escreveram os autores. Os benefícios parecem prolongar-se quando regressam a espaços fechados.
Há alguns anos, numa experiência semelhante à de Greg Bratman, Stephen Kaplan e os seus colegas concluíram que um passeio de 50 minutos entre o arvoredo melhorava as capacidades de atenção executiva, como a memória de curto prazo, mas o passeio numa rua urbana não produzia resultados. “Imagine uma terapia sem quaisquer efeitos secundários conhecidos, prontamente disponível e capaz de melhorar a sua função cognitiva a custo zero”, escreveram os investigadores no seu artigo. Pois ela existe, prosseguiram, e chama-se “interagir com a natureza”.
Alguns meses depois da nossa viagem no Utah, a equipa de David Strayer enviou-me os resultados do meu electroencefalograma. O gráfico colorido mostrava a força das minhas ondas cerebrais em várias frequências e comparava-as com amostras dos dois grupos que tinham permanecido na cidade. Os meus sinais teta foram efectivamente menores do que os deles: a suave fascinação induzida pelo rio San Juan serenara aparentemente o meu córtex pré-frontal. Pelo menos momentaneamente.
Segundo David, os resultados até à data são compatíveis com a sua hipótese, mas mesmo que o estudo seja conclusivo, não oferece nada parecido com uma explicação global. Haverá sempre um resquício de mistério e talvez deva mesmo ser assim. “Afinal de contas, nós não vamos ao encontro da natureza só porque a ciência afirma que ela nos traz vantagem, mas pela maneira como ela nos faz sentir”, resume David.

The Curious Case of the Antidepressant, Anti-Anxiety Backyard Garden

"Whether it's microbes in the dirt or fresh air—or both—researchers do know this: Gardening is strong medicine.

Gardening is my Prozac. The time I dedicate to training tomato vines or hacking at berry bushes seems to help me stave off feelings of sadness or dread and calm the chatter in my mind. My vegetable beds have even buoyed me through more acute stressors, such as my medical internship, my daughter’s departure for college, and a loved one’s cancer treatment. I’m not alone in appreciating the antidepressant and anti-anxiety effects of gardening—countless blogs are dedicated to this very subject, and a rash of new studies has documented that spending time around greenery can lead to improved mental health.

The idea that microbes in our environment might impact our health was not new to me. It’s well-established that the microbes in soil enhance the nutritional value of food and, as found in studies of farm children in Bavaria and among the Indiana Amish, improve immune function. (Researchers were finding that exposure to a diversity of microbes early in life led to fewer allergies.) But garden microbes acting as mood enhancers—well, this was news to me.“How does this work?” I asked Jill Litt several years ago when I first became interested in what I call gardening’s “bio-euphoric” effect and was wondering whether to prescribe this activity to my depressed patients. Litt, a professor at the University of Colorado School of Public Health, was studying gardening’s impact on a variety of health outcomes—including mood disorders. She rattled off a list of possible explanations, including that gardens create community, encourage physical activity, offer a bounty of nutrient-rich food, and expose one to Vitamin D-producing sunshine, which helps regulate serotonin, the “happiness” neurotransmitter. But then Litt surprised me by adding, “Also there are the microbes themselves. We have no idea what they are doing.”
I soon discovered that there is, in fact, evidence to back up this idea. It’s a smattering of data, and most of it has been collected on our distant cousins, the mice, but it is still compelling.
This investigation into the soil-mood connection began, like much of science, quite serendipitously. British researchers were testing whether immune stimulation with Mycobacterium vaccae, a harmless microbe found in soil and water and potentially on unwashed vegetables, might help treat lung cancer in humans. While they discovered unchanged life expectancy in the subjects treated with the M. vaccae, they were surprised that these patients scored much higher on a standard quality-of-life questionnaire than the controls. Somehow the bug had enhanced their mood. 
This finding inspired another researcher, Chris Lowry, a behavioral endocrinologist at the University of Colorado Boulder, to inject heat-killed M. vaccae into the bronchi of mice. The rodents, like the cancer patients, seemed to derive a psychological benefit from the treatment, exhibiting less depression and anxiety on a stressful “forced swim test.” In their article in Neuroscience, Lowry and his colleagues hypothesize that the immune reaction to M. vaccae activates the release of brain serotonin leading to reduced stress-related behavior. 
Building on Lowry’s work, Susan Jenks and Dorothy Matthews, two researchers at Sage Colleges in Troy, New York, decided to administer M. vaccae to their mice and perform a new set of behavioral tests. Instead of using the heat-killed M. vaccae used in previous experiments, they cultured the live organism and fed it to the mice via a concoction of Wonderbread and peanut butter. It occurred to me that this exposure method most closely mirrored how I might come in contact with M. vaccae: by eating the casually washed greens that I regularly harvest from my backyard. 
“It was just amazing,” Jenks said, discussing a maze test designed to expose rodents to stressful new situations. “We would place them in the maze and could clearly see that there were some mice doing better than others. We would think: ‘Is that the M. vaccae [mouse]?’ And sure enough it was.”
Forever in search of safe, low-tech solutions that I can offer my patients, I asked Jenks whether her experiment was essentially suggesting that M. vaccae exposure by eating backyard veggies or digging with glove-free hands could be a potential new antidepressant therapy.

Daphne Miller collecting late-season parsley, tomatoes, and
pineapple guavas for her backyard compost in Berkeley, California.
“What our research suggests is that eating, touching, and breathing a soil organism may be tied to the development of our immune system and our nervous system. But you have to understand that we fed our mice much more of that organism than you are likely to find in a peck of dirt—it was more like a drug dose.”
In fact, an entire raised bed in my garden is unlikely to contain as much M. vaccae as what Jenks was serving her mice.
Our well-being likely depends on more early and frequent exposure to a diverse group of bacteria, fungi, protozoa, and worms.
Still wanting a treatment I could offer my patients, I called Jack Gilbert, a marine microbial ecologist by training, who teaches at the University of Chicago. Gilbert co-founded the Earth Microbiome Project and American Gut, two ambitious collaborative projects seeking to understand how humans and other animals interact with their microbial environments. Gilbert had previously shared with me that his son’s autism diagnosis had prompted his interest in the potential neuroregulatory effects of microbes.
When I asked him what I might advise my patients based on these findings, he sighed.
“Every talk I give, there are parents that want something. I totally get it. We want that thing that will help our kids feel better. 
“All this research is really fascinating, but we don’t have enough information to make any claims. If I were to say to everyone, ‘Move to a farm, buy a dog, and eat more raw veggies,’ those statements would be vacuous from an experimental or clinical perspective.”
Speaking with Jenks and Gilbert reminded me that M. vaccae is not an isolated therapy. In fact, it is just one of an enormous palette of microbes that have been interacting and coevolving with us since our earliest days. Our immunological and psychological well-being likely depends on more early and frequent exposure to a diverse group of bacteria, fungi, protozoa, and worms than it does on any one organism. 
These creatures, which interact with us through our skin, lungs, and gut, are what Graham Rook, physician, microbiologist, and professor emeritus at University College London, refers to as “Old Friends.” I met Rook last year at an evolutionary medicine meeting at the University of Arizona where he presented a series of compelling studies in support of his “Old Friend” theory of immune dysregulation: that a mismatch between our DNA and our modern microbe-depleted environment is responsible for a recent increase in chronic health problems, including autoimmune diseases and depression. 
So what to advise my patients? I agree with Jenks and Gilbert. Microbiome research is still in its infancy, and there is much to discover before we can make definitive prescriptions. But there is compelling evidence that we need a diversity of organisms found in animals, plants, soil, water, and air for optimal functioning of our immune and nervous systems. I now equate preserving ecological diversity in our surroundings with protecting our own health. 
On a large scale, we can begin to do this by increasing the diversity of what we grow on our farms because agriculture, covering more than a third of the earth’s land surface, is an obvious reservoir for biodiversity. Our prevailing system of crop monoculture has severely limited the variety of organisms hiding beneath the soil, lying on the plants, and roaming the fields. The herbicides and pesticides used in monocultures narrow this spectrum further. We can start to shift to a more diversified system of farming by patronizing farms that grow a range of crops and by educating friends, neighbors, medical providers, and lawmakers about the health importance of this type of agriculture.
Even closer to home, perhaps the best place for us each to begin is with our own backyard plot or window box. Planting a rainbow of seeds, avoiding the use of garden chemicals, nourishing the soil with plant matter, digging with our hands, and eating the bounty—while not guaranteed to replace a pharmaceutical grade antidepressant—is a wonderful chance to hang out with “Old Friends.”  "

When you’re an architect …


"· you have probably heard all 1,000 songs off your ipod in just one night

· you spend hours looking at & buying arch books but never have the time to actually read them
· you can’t afford your own taste
· you hate the shelter magazines your clients love
· CAD is your co-pilot
· your closet is mostly full of black clothing
· there are no people in your travel photos
· you don’t think twice about taking notes on your lunch napkin
· instead of scissors, you use an x-acto knife to cut everything
· you turn impossibilities into possibilities
· folks want free design advice during dinner parties
· you help communities improve their quality of life
· every project has budget challenges
· you will only drive a black, gray, or silver car
· you’ve paid too much for your education, but don’t get paid enough in your job
· CD’s don’t mean money or music
· obsessive compulsive disorder is not a disorder at all… it’s your way of life
· you will go into an off-limit area to look at a construction detail
· you have carpet sample doormats and tile sample coasters
· you will die an architect, there is no retirement
· you go to the theater and look at the ceiling
· you can buy glossy coffee table books and claim them as a work-related tax expense
· you can live without human contact, sunlight, water or real food for days … but if you can’t plot, that’s bad
· the most important date in your calendar is your next deadline
· paying $200 for a paper lamp seems perfectly normal
· if someone asks “can you model that?” is not because you are attractive
· your vacations always become research.
· you stare more at the buildings than the people gathered around them
· you draw, write, sketch and plan on a Moleskine
· you like to complain about other’s work
· you hate the font ‘times new roman’
· you see the sun rise… and set… and rise…
· the statement “It’s only 1 A.M.” seems perfectly reasonable
· you visit an art museum and take pictures of the building
· everybody at parties will tell you “I thought about being an architect but I couldn’t do the math”
· when you go to a restaurant, you look at the walls, roof, and structure  before you check the menu
· you slice your finger and the first thing you think is “don’t bleed on the model”
· you know CAD, REVIT, Sketch up, 3dmax, Corel, Illustrator, and Photoshop … but struggle with Microsoft Excel
· you will be kick-ass and admired as much as you are unappreciated and misunderstood"


On How to Make an Attractive City

"Cities are a big deal. We pretty much all have to live in them. We should try hard to get them right. So few cities are nice, very few out of many thousands are really beautiful; embarrassingly the more appealing ones tend to be old, which is weird because we’re mostly much better at making things now.

Rules:
1. Not to chaotic, not too ordered;
2. Visible life
3. Compact
4. Orientation and mystery
5. Scale
6. Make it local"



Fonte e imagem: http://www.thebookoflife.org/how-to-make-an-attractive-city/

Um Estranho Por Dia: JOÃO 50 ANOS, MARIA 51 ANOS E MOOG, 4 ANOS

"João 50 anos, Maria 51 anos e Moog, 4 anos - Reparei no João e na Maria quando eles apanhavam canas perto da 2ª circular em Benfica "Viemos apanhar canas para a nossa horta que fica ali do outro lado no jardim perto do Colombo, vão ser usadas nos tomateiros". Após conversarmos um bocado no caminho mostraram-me a sua horta "Aqui plantamos alfaces, morangos, abóboras, courgettes, alhos, batatas, alho francês, tomates etc. Isto eram hortas clandestinas e quando fizeram aqui o jardim criaram isto. Pagamos um valor anual, mas quando viemos para aqui não sabíamos nada de agricultura, tivemos de frequentar uma formação e claro recorremos a livros e à internet para aprendermos, mas não estávamos à espera que desse tanto trabalho. Nos primeiros dois anos passávamos aqui todos os bocadinhos livres entre os nossos trabalhos, só para ver, da altura em que viemos para aqui só cá continuamos nós, todos os outros desistiram". Enquanto conversávamos, a Moog deu-me duas mordiscadelas nas pernas mas nada de mais, talvez estaria a sentir que eu era um intruso mas ficou logo boazinha para mim. Depois perguntei-lhes se vendiam o que cultivavam ali "Não, isto é apenas para nós e dá praticamente para o ano inteiro, mas como disse não é fácil, são muitas horas de trabalho e é por gosto que andamos aqui porque só compensa mesmo pela qualidade do que comemos, porque não usamos químicos aqui, apenas adubo orgânico que também somos nós que o produzimos aqui." 
Lisboa, 22 de abril de 2016
Miguel A. Lopes"

Paisagismo: a chave para o futuro de nossas cidades

  • 30 Novembro, 2015, 
  • por Kirt Martin, Traduzido por Camilla Sbeghen

    "Desfrutar do tempo livre em espaços públicos bem desenhados é um dos aspectos mais importantes para a maior parte dos que vivem em uma cidade. Então, por que é investido tão pouco tempo e dinheiro para seu desenho? Neste artigo, publicado originalmente na revista Metropolis com o título "Designing Outdoor Public Spaces is Vital to the Future of our Cities", Kirt Martin, vice-presidente de Design e Marketing do escritório de mobiliário urbano Landscape Forms, afirma que o paisagismo e o design industrial focados no setor público são a chave para a saúde e a felicidade das cidades. 
    Paisagismo: a chave para o futuro de nossas cidades, A terceira parte do High Line em Nova York. Imagem © Iwan Baan, 2014
    Todos apreciamos nosso tempo em espaços abertos. Mas por que prestamos tão pouca atenção em seu desenho?
    Como designer de mobiliário urbano, sempre tenho curiosidade sobre quanto as pessoas apreciam os espaços ao ar livre. Eu gosto de ter como tema de conversa perguntas sobre a descrição de grandes cidades como Nova IorqueChicago ou Paris e o que ficou marcado na memória dos visitantes quando estiveram ali. Se este não é o caso, pergunto onde iriam e o que fariam se ganhassem  $25,000 para gastar nas férias sonhadas. Suas melhores experiências em uma cidade célebre ou em uma paisagem natural sempre têm algo em comum, exceto por um ponto: aquelas que são mais memoráveis sempre têm como cenário os espaços ao ar livre. 
    A coleção Multiplicidade desenhada por Yves Behar e fuseproject. Imagem Cortesia de Landscape Forms
    A coleção Multiplicidade desenhada por Yves Behar e fuseproject. Imagem Cortesia de Landscape Forms
    Temos estudos que demostram que as pessoas tendem a ser mais saudáveis, mais felizes e ter uma vida mais duradoura em áreas com acesso a natureza, incluindo espaços urbanos com áreas verdes. Os espaços ao ar livre são os menos custosos para criar e os que geram a mais alta rentabilidade - levando em conta aspectos como a melhora da vida em comunidade, saúde e riqueza, além da geração de atividades econômicas nas áreas circuncidantes. Com um número crescente de pessoas que se refugiam em cidades - desde jovens profissionais até aposentados - os espaços públicos verdes e a vibrante paisagem urbana são considerados fatores chave que atraem tanto os residentes como negócios.
    Apesar disso, não damos aos espaços livres o mesmo valor e suporte econômico que conferimos aos edifícios e interiores. Calculamos o valor em dólares por metro quadrado dos edifícios e interiores mas não valorizamos os metros quadrados das áreas livres. Não conta-se com uma análise de viabilidade econômica para o desenho de espaços exteriores, quando poderia e deveria ser realizada. Considero também que o desenho e inovação nas áreas exteriores públicas e privadas é um tema pendente, e o primeiro passo para assumir este desafio é melhorar as habilidades e talentos dos arquitetos paisagistas, os profissionais melhor preparados para desenhar estes espaços. 
    Sistema de Reciclagem do Central Park desenhado por Landor Associates. Imagem Cortesia de Landscape Forms
    Sistema de Reciclagem do Central Park desenhado por Landor Associates. Imagem Cortesia de Landscape Forms
    Chegou o momento da história em que a arquitetura da paisagem tem algo muito importante para dizer, e devemos escutar. Os arquitetos paisagistas aplicam uma disciplina baseada no pensamento holístico. Eles entendem o ambiente natural, o ambiente construído e as relações entre ambos. Além do mais, estão preparados para assumir a liderança no desenho de espaços exteriores e captar a atenção do público nos mesmos.
    Recentes projetos destacados como o High Line e o Millennium Park criaram fortes laços com a comunidade local, e os famosos urbanistas responsáveis por estes projetos suscitaram o interesse do público. Entretanto, ainda existe uma grande legião de paisagistas talentosos e inspirados que deveriam ser parte primordial do desenho e visualização dos espaços exteriores.
    "Cloud Gate" de Anish Kapoor, escultura no Millennium Park em Chicago. Imagem © Urban Land Institute
    "Cloud Gate" de Anish Kapoor, escultura no Millennium Park em Chicago. Imagem © Urban Land Institute
    Este também é um momento no qual a história desempenha um papel útil para a arquitetura da paisagem. Nós que somos provedores de mobiliário urbano, partícipes do desenho e ativação dos espaços exteriores, devemos formar parte deste desafio, e estou disposto a assumi-lo buscando os meios para garantir a rentabilidade de espaços exteriores desenhados em términos de comunidade, identidade, bem-estar, meio-ambiente e economia. Estou focado em liderar a inovação junto com soluções graduais mais além de elementos padrões como lixeiros, estacionamento para bicicletas e bancos, para ajudar as pessoas a desfrutarem de experiências inesquecíveis ao ar livre. Os exteriores iniciam no exato momento em que saímos das nossas portas, por isso são requeridas novas ideias para os espaços adjacentes aos edifícios. É necessário também integrar a tecnologia aos espaços públicos, respeitando as qualidades especiais de cada contexto.
    Me sinto entusiasmado por este esforço e acredito que, com a colaboração de paisagistas e outros profissionais do design na indústria do mobiliário urbano, podemos suscitar interesses e promover um maior investimento em espaços exteriores que criem memória e significado. Juntos podemos criar uma verdadeira mudança na paisagem urbana, que é o nosso futuro.
    Kirt Martin é vice-presidente de Design e Marketing de Landscape Forms, liderando as equipes criativas de desenvolvimento de produto, marketing e comunicações desta companhia. Martin é um premiado designer industrial que dirigiu previamente a área de designer em Turnstone, uma divisão de Steelcase."