FELIZ ANO NOVO!

O Direito de Sonhar - Eduardo Galeano



"Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança."

António Gedeão,
in Movimento Perpétuo, 1956

The Holstee Manifesto: Lifecycle Video

Bicicletas como presentes de Natal

in Semanário Sol, 24.12.2011
por Filipa Moroso

"Qual foi o melhor presente de Natal que recebeu na sua vida?

Bárbara Guimarães, Apresentadora de televisão
«O presente que mais recordo foi a bicicleta vermelha que recebi aos cinco anos. Lembro-me perfeitamente de a receber e pensar que era tão grande e que, com ela, ia poder andar depressa e ter muita liberdade. Aprendi a andar logo no dia a seguir a recebê-la. O meu pai foi comigo para o jardim, mas pôs-se a ler o jornal e eu aprendi a andar sozinha. Mas claro que esfolei os joelhos todos! Foi um presente muito desejado, era um sonho muito grande que tinha. Para uma criança não há nada maior do que uma bicicleta!»

Rui Sinel de Cordes, Humorista
«Devo dizer que tive uma infância feliz no que toca a presentes, dado que fui a primeira criança da família. Fui o primeiro filho, sobrinho ou neto de muita gente, o que fez com que recebesse muitos presentes. Depois apareceram os palhaços dos meus primos e começaram a dar-me cabo do Natal. No entanto, o presente que mais me marcou foi uma bicicleta oferecida pelos meus avós, teria eu cinco ou seis anos. E marcou-me porque foi com ela que aprendi a andar, tendo eu conhecido duas fases distintas da minha vida logo de seguida: uma primeira em que caía de três em três metros, o que levou os meus joelhos a terem mais buracos que a estória que Duarte Lima contou à Polícia brasileira; e uma segunda, em que passei a andar com aquelas rodinhas de apoio, que fez com que todo o bairro pensasse que era autista.»

Victor Gama, Músico
«O melhor presente de Natal que recebi até hoje foi uma bicicleta oferecida pelo Pai Natal. Foi mais o fascínio provocado pela certificação da Sua existência que me comoveu, e de sentir que Ele, tão grande e distante, se pudesse lembrar de mim, tão minúsculo. Ainda hoje acredito Nele.»"

Fonte:
Imagem:

Gonçalo Ribeiro Telles: “Talvez os governantes queiram destruir o país”

Por Luís Claro, publicado em 17 Dez 2011
in Jornal i online
"Ribeiro Telles diz que não percebe a estratégia do governo. “Dá a sensação que não conhecem o país”, afirma.

Gonçalo Ribeiro Telles foi recentemente homenageado pela Fundação Calouste Gulbenkian em parceria com o Centro Nacional de Cultura. O i conversou com ele durante mais de uma hora sobre a vida e as causas que sempre defendeu.
O António Barreto disse, na homenagem que lhe fizeram, que o Gonçalo Ribeiro Telles tanto se passeia pelos salões dos poderosos como come pastéis na pastelaria da esquina. É uma boa descrição?
É. Talvez marque uma certa ideia que eu tenho sobre a vida e a circunstância da vida.
Tem a ver com as suas raízes, entre o litoral e o campo?
Absolutamente. E até actividades. Fui muito influenciado pela terra, mas também pelo mar.
O seu pai tinha raízes no campo e a sua mãe era ligada ao mar…
Exactamente.
Sentiu, a partir de determinada altura, que os poderosos deixaram de ouvir as suas sugestões com a mesma atenção, perante alguns interesses económicos que começaram a ganhar mais peso?
Julgo que não tinham em mira quaisquer interesses, tinham em mira a circunstância que os envolvia, que era diferente da minha circunstância. Fundamentalmente, tive a felicidade de ter uma visão um pouco mais global das pessoas, do tempo das pessoas, dos espaços que as pessoas ocupam e onde trabalham. E essa visão global permitiu-me entrar numa série de controvérsias com os diferentes sectores das actividades económicas que tinham uma perspectiva completamente virada para o único objectivo de fazer dinheiro.
Deixou de pertencer aos governos a partir de uma certa altura. Deixou de ser convidado ou fartou-se?
Não me fartei. O que pode acontecer é começar a estar maldisposto, mas não me farto. Mas não foi isso. Havia possivelmente outras intenções mais directas num determinado sentido a que eu não podia corresponder.
Não o convidaram porque sabiam que não estava disposto a fazer cedências?
É evidente, por exemplo, sobre o problema do campo e da agricultura não comungava de maneira nenhuma com a generalidade dos técnicos, apesar de ter andado com eles na escola.
A partir de que altura sentiu essa diferença de opiniões em relação ao poder político?
Foi crescendo, porque a partir de determinada altura foi-se desenvolvendo a ideia de que a agricultura não era uma cultura, mas era uma economia feita exclusivamente para criar uma riqueza material, de financiamento fosse do que fosse. Houve muitos políticos – não se pode dizer todos – que se começaram a convencer-se de que a agricultura era qualquer coisa que não tinha lugar no mundo moderno.
Mas pelo menos tinham o interesse de o ouvir?
Nunca fui uma pessoa fechada, mas nunca procurei bater a portas que não se abriam.
Foi subsecretário de Estado do Ambiente em três governos a seguir ao 25 de Abril. Viveu por dentro a revolução...
Sim, e foi aí que se começaram a desenvolver determinadas ideias, determinadas posições – para as quais o país não estava complemente preparado, nem era necessário virem de chofre –, que iam transformando a intervenção no território, nas potencialidades do território e do mar. Era uma forma de ir conquistando um futuro de forma gradual.
Conseguia naqueles tempos tão conturbados incluir na agenda as questões ambientais?
Eram tempos conturbados, mas muito vividos. Vivia-se muito, dialogava-se muito. O pior é quando estamos instaladas. Parecem tempos consistentes, mas não há diálogo, nem há diversificações, nem posições globais sobre os problemas.
É essa a descrição que faz dos tempos que vivemos hoje?
Evidentemente. Por isso temos mais de meio milhão de fogos vazios, que serviram para construir, mas que estão vazios. Temos uma política florestal, que no fundo é a eucaliptação do país com a correspondente morte das aldeias e da agricultura regional.
Sempre houve muita resistência à legislação que aplicou como ministro da Qualidade de Vida no governo de Francisco Pinto Balsemão. Estamos a falar, por exemplo, da Reserva Agrícola e da Reserva Ecológica Nacional. Encontra alguma explicação para essa falta de entusiasmo?
Isso tem de perguntar aos autarcas. Não se procurava o entusiasmo, o que havia era uma resistência. O que pergunto é: qual era o serviço que estavam a fazer?
E qual é a resposta que tem?
A resposta é evidente. A morte das aldeias, a caótica destruição com as urbanizações, o desaparecimento da agricultura. A resposta está nos factos que se vão vendo.
Tentou convencer alguns autarcas do contrário?
Não valia a pena. Eles é que me queriam convencer. A força estava do lado de quem queria impor um determinado modelo e não de quem queria defender uma situação criativa em relação ao território e em relação às gentes. E as pessoas, evidentemente, viam com mais facilidade a primeira solução que a segunda.
Por ser mais compensadora a curto prazo?
Por ser imediata e por ter grande parte da comunicação social a seu favor. Estavam convencidos que o progresso estava na construção, nos grandes edifícios.
Em todo o caso conseguiu, nessa altura, fazer ouvir as suas ideias e aplicar algumas. Como é que o PPM entrou na AD?
Foi um convite do Sá Carneiro. Havia um grande entusiasmo e a noção de que era preciso dar uma volta ao país em relação à política, que resultou numa legislação que ainda hoje existe. Mas a REN (Reserva Ecológica Nacional) e a RAN (Reserva Agrícola Nacional) estão comprometidas, não só na sua estrutura, mas também na sua aplicação. A política de ambiente não tem a força que tinha nessa altura.
Hoje voltou a existir a AD…
Agora há alguma AD? Não conheço.
Uma coligação entre o PSD e o CDS.
Mas não é a AD. Falta-lhe um elemento fundamental. Grande parte da legislação sobre ordenamento do território teve como origem o PPM. Hoje não há uma ideia global por causa dos interesses e por causa de as pessoas estarem à espera de coisas que dêem proveito rapidamente. Por isso é que televisão diz todos os dias que há uma floresta a arder quando é um eucaliptal. Todos os dias se diz que há um desenvolvimento numa determinada região, porque os prédios atingiram determinada altura...
Essa ideia – que passou também pela construção de muitas auto-estradas ou dos estádios de futebol – é uma ideia nossa ou um problema europeu?
É um problema muito nosso, de não fazer um planeamento coordenado. Temos auto-estradas, mas não temos caminhos locais de relação com a vida local. Vê-se a vida passar na auto-estrada, mas não se sente. Desprezamos as aldeias porque não fazem parte desse modelo. O próprio povoamento do país não faz parte desse modelo e portanto não há que tratar sequer da sua dignidade como pessoas. É preciso que acabem.
Já passou essa euforia, principalmente porque acabou o dinheiro para construir.
Hão-de vir mais euforias. Já viu alguma política económica e social que vá ao encontro da recuperação económica e social do mundo rural? O que me aflige é termos um país de alto a baixo, principalmente no Interior, despovoado e apodrecido.
O Presidente da República disse que era preciso voltar à agricultura. Não foi durante os dez anos do cavaquismo que se deu uma machadada no mundo rural, na agricultura, nas pescas…
Não quer que eu diga que é um rebate de consciência, mas todos os responsáveis têm obrigação de rever as suas posições.
É fazer o caminho ao contrário?
Não, é fazer um caminho novo.
Como vamos voltar à agricultura se o mundo rural está desertificado?
Pois é. Essa é agora a dúvida de quem fez isso. Temos de procurar criar uma agricultura de base sustentável com o objectivo de evitar as importações escusadas. Tudo isso é possível, mas não pode ser um trabalho isolado. Tem de ser uma política global. Talvez o senhor Presidente tenha já essa visão de que tem de se começar a construir aquilo a cuja destruição ele assistiu.
Por onde começava?
Pela defesa das potencialidades do espaço rural, do espaço natural do país. Acabava com o pandemónio de construir nas melhores terras de cultura, de não promover uma boa circulação da água através das suas linhas naturais e de recuperar os solos através da própria ocupação vegetal. Há uma inércia enorme perante as asneiras cometidas.
Acredita, ao fim de tantos anos, que é desta que os governantes vão ter sensibilidade para esses problemas?
Talvez queiram acabar com o país ou torná-lo completamente dependente e com uma vida irreal.
Já somos muito dependentes.
Pois estamos. Ainda não sabemos é a actividade que vamos desenvolver para estar no mundo depois desta decadência e desta degradação total do território. Não é com certeza o turismo.
Há quem diga que sim.
Não pode ser, porque o turismo tem por base o ordenamento do território e a paisagem.
O actual ministro da Economia defende que podemos ser uma espécie de Califórnia da Europa...
Ele podia ter dado um exemplo mais europeu, como os países nórdicos. Não é preciso ir buscar um exemplo fora da Europa. E é preciso ver que temos potencialidades enormes para isso, mas para termos um turismo a sério é preciso recuperar o bom ordenamento do território. Não pensem que o turismo vem para um país sem agradabilidade, nem sem valor estético naquilo que se vê quando se abre a janela do hotel.
Já disse várias vezes que muitos políticos não conhecem o país. Acha que é por isso que cometem alguns desses erros?
Alguns conhecerão, mas há muitas intervenções de políticos de tal mediocridade que só se podem basear numa total falta de conhecimento do que é o nosso território e do que é a nossa paisagem.
Fica irritado quando ouve essas intervenções?
Não. Se ficasse já me tinha ido embora.
E da actual ministra do Ambiente, Assunção Cristas, tem uma opinião mais positiva?
Ela tem um trabalho enorme às costas, que é juntar o problema do mar com o problema do ordenamento do território, com o problema da agricultura. Não é culpa da ministra, mas aquele ministério necessitava de uma experiência muito específica de intervenção.
Concorda com a concentração de várias áreas num mesmo ministério?
Concordo que tem de haver uma coordenação, mas espero que os sectores com mais poder económico não sirvam para tapar as mazelas dos espaços com menos rentabilidade imediata, mas absolutamente indispensáveis.
Tem receio que as várias áreas se anulem umas às outras?
Já fundou partidos ligados à terra e em defesa da monarquia. Há ligação entre estas duas causas?
Há sempre uma ligação. A nossa história é uma construção através de um regime monárquico e essa ligação à história e à continuidade perdeu-se. E nesse sentido há de facto um recuo enorme, que permitiu depois uma visão diferente do futuro. Quando a monarquia existia havia sempre um futuro na sequência da dinastia.
É essa a vantagem que vê na monarquia?
É essa a grande vantagem. Isso dá um somatório de uma cultura que é muito difícil de arrancar. Só à força é que se arranca. É o que está a suceder. Há a saudade dessa continuidade.
Os portugueses têm saudades da monarquia. Acha isso?
Dessa continuidade com certeza, porque isto é um país inventado e construído. Construído com as condições que tinha de mar, de terra, de solos e inventado pelo género português.
O caminho teria sido outro com uma monarquia?
Tínhamos seguido um caminho mais paralelo dos países escandinavos.
Os reis não são eleitos. Não é um bom argumento a favor da República?
Os reis são eleitos todos os dias.
Uma vez contou que a sua avó estava sempre à espera que viesse o Paiva Couceiro com os militares do Norte para acabar com a República.
Não era só a minha avó, eram muitas avós. Vinha repor a ordem. No fundo vinha repor a liberdade. As pessoas, sem o sentir, tinham a noção de liberdade.
O país está a viver uma crise muito complexa com o aumento do desemprego, a aplicação de muitas medidas de austeridade. Compreende estes sacrifícios todos que estão a ser pedidos ou impostos aos portugueses?
Não compreendo, porque o próprio sistema não tem nada a ver com essa maior humildade que seria necessária para exigir essa austeridade. Faz uma exigência que as pessoas não compreendem por todo o modelo de sociedade e de instituições que têm. Basta ver os jornais. Hoje é o Museu dos Coches (o governo anterior gastou cerca de 75 mil euros só em duas sessões de apresentação do novo Museu dos Coches).
Os políticos pedem uma austeridade para a qual não dão o exemplo?
Não quero apontar pessoas, mas o meio não reconhece a austeridade sem haver uma presença da humildade, e não há. Não temos essa compreensão das elites políticas, sociais e económicas para aceitarem a austeridade. Eles não percebem que é também com eles e que fazem parte dessa máquina.
Qual é a opinião que tem do actual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho?
Não tenho opinião, porque não conheço o que eles querem fazer. Dá a sensação que as pessoas não conhecem o país, nem as potencialidades do país.
Vai festejar 90 anos em Maio. Já pensou o que vai fazer nesse dia?
Fazer 90 anos é uma chatice. Vou procurar olhar para os 90 anos e rir-me.
Nunca pensou em escrever as suas memórias?
Não, não tenho paciência para escrever mais. Vou procurar organizar o que já escrevi. Tenho pouco mais para dizer.
Gostava de viver muitos anos ainda?
Isto toda a gente gostava. Vou ter muitas saudades quando me for embora.
Acredita que há outra vida?
Tenho grande esperança que exista qualquer coisa. Quem não tem essa esperança deve ter um dilema terrível e sentir- -se obrigado a deixar coisas.
Não sentiu, ao longo da vida, essa necessidade de deixar uma marca?
Um indivíduo que não acredita que há outra vida é que tem a fuçanguice de deixar uma marca. Eu gostei de servir e levo aspectos da vida muito bons, que talvez sirvam como referência, mas também cometi erros e talvez vá pagar por eles. Pelo menos era justo que assim fosse. Se não há esse sistema de justiça, é uma pena, mas andamos aqui a fazer de parvos [risos]."

Fonte e imagem:
http://www.ionline.pt/portugal/goncalo-ribeiro-telles-talvez-os-governantes-queiram-destruir-pais

Colóquio Ruas Seguras

Ponte de Lima aumenta para 81 o número de lotes para hortas urbanas

Foto: DR
Cada lote tem 40 metros quadrados de área de cultivo
in Jornal Público, 12.12.2011
Helena Geraldes


"O número de agricultores urbanos a plantar couves, cebolas, tomate, pepinos e outras variedades está a aumentar em Ponte de Lima, autarquia do distruto de Viana do Castelo que decidiu aumentar para 81 o número de lotes.
A partir deste mês, a câmara disponibiliza 27 novos lotes, cada um com 40 metros quadrados. Doze já estão ocupados, disse ao PÚBLICO a técnica superior de Ambiente da autarquia, Sandra Pereira. “A procura por estes espaços tem sido grande. Por isso decidimos passar dos 54 para os 81 lotes”, acrescentou.

Com base nas visitas às hortas urbanas, na Veiga de Crasto, às portas de Ponte de Lima, Sandra Pereira diz que aquilo que mais se cultiva é “o que as pessoas mais utilizam no dia-a-dia, como couves, cebolas, tomates, pepinos. Quem tem estes lotes tenta ter vários canteiros pequenos com uma grande variedade de hortícolas”. De acordo com a mesma responsável, até há quem se candidate a dois lotes, para ter uma área de cultivo de 80 metros quadrados.

O projecto das Hortas Urbanas em Ponte de Lima começou no final de 2009, com o objectivo de “melhorar a qualidade de vida, através da formação de espaços verdes dinâmicos e que promovam o contacto da população com a natureza”. Inicialmente havia 36 lotes, depois houve uma expansão para os 54 e agora passaram para 81.

Os únicos requisitos para estes agricultores urbanos, maioritariamente reformados e jovens casais, é que pertençam ao concelho de Ponte de Lima e que mantenham os terrenos cultivados.

Segundo Sandra Pereira, o município ainda tem mais espaços para fazer o projecto crescer. “Mas por enquanto vamos ver como corre com 81 lotes.”"

Fonte e imagem:

Hortelões notificados para abandonar terrenos em Sintra

in Jornal Público, 12.12.2011
Inês Boaventura

"Os hortelões que há vários anos cultivam as hortas junto ao Bairro 1º de Maio, no Monte Abraão, foram notificados pela Polícia Municipal de Sintra para abandonar aqueles terrenos camarários até ao fim do mês. A presidente da junta de freguesia diz que não compreende ou aceita esta decisão, à qual promete "bater o pé".
Uma das hortas é mantida por habitantes do bairro "há quase 30 anos" e a outra, segundo explica Ricardo Canelas, um dos mentores do projecto, por um grupo de jovens que ali se instalou em 2008. Numa carta aberta dirigida ao presidente da Câmara de Sintra, os hortelões lembram que "já por várias ocasiões as autoridades vieram destruir as hortas, em todas elas para deixar o terreno num estado abandonado e lamentável".

Desta vez a autarquia justificou o despejo com a informação que fez chegar aos hortelões, dizendo que aqueles terrenos se destinam à "construção de equipamentos sociais, culturais, desportivos, educativos ou de serviços públicos". A presidente da Junta de Freguesia de Monte Abraão, Fátima Campos, explica que os terrenos se destinam à nova sede da junta, a um centro comunitário e a um campo de desportos radicais, mas garante que "infelizmente não vai começar nada" num futuro próximo. Assim sendo a autarca não vê qualquer razão para se acabar com as hortas. "É preferível ter ali um terreno baldio com lixo e entulho de obras?", pergunta a eleita do PS.

Fátima Campos não percebe por que motivo a câmara não deixa as pessoas sossegadas, sublinhando que os espaços de cultivo são importantes para a subsistência de alguns dos habitantes do Bairro 1º de Maio. "Vou bater o pé e opor-me a isto. Já escrevi ao presidente e aos vereadores a apelar ao bom senso do executivo", acrescenta.

Na carta aberta dirigida ao presidente do município, Fernando Seara (PSD), os hortelões lamentam "a incoerência da câmara municipal", que "alega interessar-se pelas hortas urbanas e anuncia até estar a desenvolver um projecto de hortas comunitárias em zonas urbanas do concelho, e depois mostra desprezo total por um projecto já em curso".

Nessa missiva é também feito o pedido à autarquia para que no dia em que começarem as obras nos terrenos junto ao Bairro 1º de Maio seja disponibilizado a quem hoje cultiva a terra "um outro terreno devoluto, dos vários existentes nas imediações". Apesar do contacto, não foi possível obter esclarecimentos do gabinete de imprensa da câmara."

Fonte e imagem:

Homenagem a Gonçalo Ribeiro Telles na Gulbenkian


in Jornal Público
07.12.2011 - 11:12 Por Lucinda Canelas

"Gulbenkian e Centro Nacional de Cultura celebraram ontem o paisagista Gonçalo Ribeiro Telles. Colegas do ensino e da política, alunos e amigos quiseram honrar o mestre e, sobretudo, o homem.

Gonçalo Ribeiro Telles falou no fim, como compete ao homenageado. Com o auditório 2 da Gulbenkian cheio, com muitas pessoas de pé, o arquitecto paisagista a quem muitos chamam "mestre" admitiu o desconforto: "Nunca estive tão envergonhado para falar." Deram-lhe a palavra depois de um dia de testemunhos de alunos, discípulos, amigos e companheiros de vida política, uns monárquicos, como ele, outros não.

"Conhecemo-nos no combate à ditadura e é curioso que, sendo ele um monárquico e eu um republicano dos sete costados, a nossa empatia tenha sido imediata", lembrou Mário Soares já na recta final do encontro Gonçalo Ribeiro Telles - Um Homem de Serviço, que a Gulbenkian e o Centro Nacional de Cultura (CNC) organizaram ontem em Lisboa.

Pensador e político com um sentido cívico inultrapassável, defensor da liberdade e do direito à originalidade de ideias, disseram muitos dos oradores, Ribeiro Telles é, sobretudo, "uma pessoa extraordinária", sublinhou Soares: "Quando se fala do Gonçalo, há o problema dos afectos. Admiramo-lo pela sua verticalidade, pela sua obra, pela sua coragem, mas, mais do que isso, temos-lhe um afecto enorme pela pessoa que ele é."

Aos 89 anos, o político que foi membro da Aliança Democrática (AD), governante e deputado, fundador do Partido Popular Monárquico (PPM) e do Movimento Partido da Terra, ou o arquitecto paisagista a quem devemos as reservas agrícola e ecológica nacionais, os jardins da Gulbenkian (com António Viana Barreto) e o Amália Rodrigues, sente que tem ainda uma palavra a dizer. "Quero ser útil ao momento presente", dissera ao PÚBLICO antes da intervenção final.

E ser útil hoje é falar do despovoamento do mundo rural, da morte lenta das cidades, da "paisagem que é ainda um problema", porque os políticos, desinformados, continuam a dizer que querem defender os ecossistemas e a achar, ao mesmo tempo, que um eucaliptal é uma floresta: "Eles não sabem que nos eucaliptais não cantam os passarinhos e na floresta sim." O que é que lhes falta para saber olhar para o território? "Andar a pé, conhecer o país inteiro, as pessoas", responde este homem para quem "é mais fácil deixar marcas na paisagem do que nas pessoas".

Saber falar com as pessoas é uma das qualidades deste paisagista afável e atento, garantiu o comentador político Luís Coimbra. E, para o provar, contou uma história dos tempos da AD. Andavam na estrada em campanha eleitoral quando Ribeiro Telles desapareceu. Como todos estavam já à espera para entrar nos carros, Coimbra decidiu ir procurá-lo.

Mais bosques e mais hortas
"Chovia muito e eu fui dar com ele à porta de uma vacaria, a explicar aos agricultores que era melhor deixar os animais à solta no pasto do que alimentá-los com rações", lembrou Coimbra, com quem o arquitecto paisagista se cruzou pela primeira vez em meados dos anos 60. Para ele, Ribeiro Telles é um "político falhado" a quem reconhece "convicções firmes" e uma liberdade de pensamento inegociável. Porquê um político falhado? Coimbra esclarece: porque, apesar de ter razão, "as suas ideias para um desenvolvimento sustentado de Portugal ficaram para trás", por falta de inteligência de governos e governantes.

É precisamente a inteligência que falta a muitos que António Barreto, Guilherme d"Oliveira Martins e Eduardo Lourenço elogiaram neste homem de família, professor e cidadão que tem formado gerações através do exemplo e defendendo sempre "o ambiente como uma causa total", disse Augusto Ferreira do Amaral, dirigente do PPM.

Avesso aos jogos partidários, o paisagista tem sido essencialmente, segundo Freitas do Amaral, "um homem bom", que encarou a política como acto de cidadania e "a ecologia como a causa de uma democracia reformista". Se Portugal cumprisse a "excelente legislação" que Ribeiro Telles ajudou a fazer, defendeu o professor de Direito, "sem violações e sem excepções superiores à regra, seria incomparavelmente melhor".Teria, certamente, mais "lugares de paz e sossego, mais bosques e hortas", garantiu o sociólogo António Barreto, que foi seu colega de Governo, numa comunicação intensa, em que não se cansou de falar da independência de Ribeiro Telles e da sua paixão pela cidade. "Homem generoso e doce, mas firme", disse-o várias vezes Barreto, vê em cada espaço verde desperdiçado e em cada ribeira destruída uma derrota.

Voz activa na sociedade portuguesa há mais de 50 anos, Ribeiro Telles foi muitas vezes ignorado, acrescentou o sociólogo, mas o tempo deu-lhe razão. E teve um raro privilégio, concluiu Barreto: "Realizou um dos grandes sonhos dos homens cultos - fez jardins."

Jardins que são tentativas de paraíso, lembrou Eduardo Lourenço, defendendo que o paisagista é um "poeta da relação com a Terra", um "utopista novo": "Gonçalo Ribeiro Telles é uma mistura do ecologista-mor que foi Francisco de Assis com o botanista maravilhoso e romancista fantástico que foi Jean-Jacques Rousseau."

Para que não restassem dúvidas, o ensaísta fez questão de explorar este paraíso que o arquitecto foi trabalhando e falou da paisagem como se ela fosse a cara humana que a natureza nos reenvia. "Sempre tentámos criar com as nossas próprias mãos o paraíso", insistiu o ensaísta. Ribeiro Telles tentou tanto e tão bem que merece um título especial - Lourenço chamou-lhe "o jardineiro de Deus"."

Fonte e imagem:
http://www.publico.pt/Cultura/quando-um-homem-cria-paraisos-devemos-chamarlhe-jardineiro-de-deus-1524106

Festival da Bicicleta Solidária

18 Dezembro 2011 - 10h00 Terreiro do Paço / Lisboa

Encontro de Bicicletas Clássicas, Passeio para todas as Bicicletas, Alley Cat Race, Cicloficina e animação de rua.

O objectivo do Festival é a angariação de géneros alimentícios para instituições que se encarregarão de distribuir aos necessitados. Os participantes deverão oferecer alimentos não perecíveis (por exemplo: enlatados, arroz, massa, leite, etc.) entregando-os neste dia à organização.

Homenagem - GONÇALO RIBEIRO TELLES

"A Fundação Calouste Gulbenkian e o Centro Nacional de Cultura vão organizar no próximo dia 6 de Dezembro uma sessão de homenagem e reflexão dedicada ao Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles.


ORGANIZAÇÃO
AURORA CARAPINHA

ENTRADA LIVRE

FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN • AUDITÓRIO 2

09h30Abertura
Guilherme d’Oliveira Martins
Presidente do Centro Nacional de Cultura
Emílio Rui Vilar
Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian
10h00
O HOMEMAntónio Barreto • Eduardo Lourenço
Guilherme d’Oliveira Martins
11h15
Pausa café
11h35O POLÍTICO
Augusto Ferreira do Amaral • Luís Coimbra
Diogo Freitas do Amaral
13h00Intervalo para almoço
14h30
O PROFESSOR
Carlos Braumann • Aurora Carapinha
Ário Lobo de Azevedo
15h30
Pausa café
15h50
O VISIONÁRIOManuela Raposo Magalhães
Nuno Portas • Margarida Cancela d’Abreu
Viriato Soromenho Marques
17h10Depoimentos
Dom Duarte de Bragança • Miguel Sousa Tavares*
Pedro Roseta • Maria Calado • Alberto Vaz da Silva
17h45
Apresentação da Fotobiografia
de Gonçalo Ribeiro Telles (Ed. ARGUMENTUM)
Fernando Pessoa • Alexandre Cancela d’Abreu
18h00Encerramento
Mário Soares • Gonçalo Ribeiro Telles
*A CONFIRMAR"
Fundação Calouste Gulbenkian
Avenida de Berna 45 A - 1067-001 Lisboa
Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
Rua Dr. Nicolau de Bettencourt

Transportes
Metro: São Sebastião, Praça de Espanha
Autocarros: 16/56/718/726/742/746/718

Fonte e imagem: